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Sexta, 18/06/2010 22h38
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Wellington Borges
Última atualização em Sábado, 19/06/2010 00:22h
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Único escritor da língua portuguesa a ganhar o Nobel de Literatura, Saramago veio de família simples (Foto: Fundação José Saramago)
“O universo e tudo o que nele se inclui ainda é um grande mistério para o homem. Tudo o que se vê é muito mais mágico e profundo do que realmente parece. Ficção e conto de fadas podem ser mais reais do que se mostram. A vida é muito mais vida se virmos o mundo dessa forma. Aproveite Saramago”.

Essa foi a recomendação que recebi, em forma de dedicatória, quando ganhei de presente no dia 29 de maio de 2009, o livro Jangada de Pedra, de José Saramago. Confesso que, antes disso, ainda não conhecia a obra de Saramago, embora tenha visto o filme Ensaio Sobre a Cegueira (de Fernando Meirelles – baseado no livro de mesmo nome) e tivesse sido recomendado, mais de uma vez, a conhecer outros livros.

Empolgado com o presente - li e reli. Na primeira vez, achei única e diferente aquela forma de escrever, com poucos pontos, parágrafos intermináveis e uma descrição detalhada. Na segunda vez, achei genial. Agora, tenho certeza de que ele era os dois - único e genial.

Único escritor de língua portuguesa a receber o prêmio Nobel de Literatura, Saramago nasceu em família pobre: a mãe era faxineira. Os avós criavam porcos. Fez curso técnico e trabalhou como mecânico de automóveis. Ao receber o Nobel em 1998, ele homenageou o avô. “O homem mais sábio que conheci era analfabeto”, disse.

Nesta sexta-feira, logo cedo, ao saber da morte do escritor, tive a comum curiosidade de saber algo a mais sobre ele. Encontrei e revi uma entrevista feita há três anos pelo excelente jornalista Edney Silvestre para o Jornal da Globo.

Saramago tinha optado por viver em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, pertencente à Espanha, mas próximo à Costa da África. Questionado pelo jornalista se a morte o assustava, ele respondeu: “Não, não. Tenho 84 anos, posso viver mais três, quatro ou cinco anos”, disse, em tom profético. “O pior da morte é que antes estavas e agora não estás”, complementou.

Criticado por muitos por ser comunista e marxista declarado e ateu convicto, Saramago, como definiu o presidente Lula, em nota nesta sexta-feira: “contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial”.

Por último, na entrevista concedida à Edney Silvestre, Saramago relembra uma frase da avó, que, segundo ele próprio, já deveria estar farta da vida: "O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer".

Pena:

Saramago se foi, mas, como consolo, a obra IMORTAL dele fica.

 

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