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Democracia, pluralidade, cidadania, direitos, deveres, promoção da cultura, utilidade, relevância e sustentabilidade. Tudo isso faz parte da nossa responsabilidade de conscientização da população em busca de diálogos mais esclarecidos e equilíbrio nas decisões para a construção da realidade a nossa volta.

Diante destes valores, a partir de agora, o PORTAL 730 abre mais espaço para a opinião dos nossos fiéis ouvintes e seguidores. A seção "Opinião" será um espaço democrático e plural para que especialistas, políticos, empresários, historiadores, trabalhadores e demais cidadãos, possam ampliar debates, discussões e pontos de vista sobre temas recorrentes da nossa cidade, estado e do Brasil.

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Seja Bem vindo, Portal 730!

Leia mais...A compra de medicamentos é o item de saúde que mais pesa no bolso do brasileiro, principalmente entre as famílias carentes, e a falta de recursos financeiros afeta o bem-estar da população. Aproximadamente 50% dos pacientes deixam de seguir a orientação médica diante dos custos dos remédios e os tratamentos imprescindíveis são adiados, provocando impactos não apenas para as pessoas, mas também para os sistemas de atendimento. A doença não tratada de acordo com as recomendações dos especialistas vai evoluir e, em muitos casos, aumentar os gastos com internações e outros procedimentos médicos.

A questão do custo do medicamento é essencial para garantir a qualidade da saúde pública. A Câmara do Deputados, por exemplo, discute um Projeto de Lei para aposentados e pensionistas com 60 anos ou mais deduzirem o gasto com medicamento do Imposto de Renda (IR), desde que seja comprovado com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. A iniciativa segue a demanda dessa população, que mais precisa de cuidados nessa fase da vida e tem gastos 58,1% maiores para bancar custos médicos do que a média dos brasileiros.

A iniciativa é louvável e vai deixar mais leve o bolso de aposentados e pensionistas. Nas próximas décadas, esse é um público que merecerá cada vez mais atenção tanto do setor público como também do sistema privado. O Brasil passará por profundas mudanças na pirâmide etária. Hoje, os brasileiros com 65 anos de idade ou mais representam aproximadamente 8% da população. As projeções para 2030 mostram que 14% estarão nessa fase da vida. O perfil das doenças também deve mudar ao longo desse período. Os registros de doenças infecto-parasitárias já estão em redução no país e caminhamos para o aumento dos diagnósticos de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) como diabetes, hipertensão arterial, artrite e problemas cardíacos, entre outras doenças típicas de países desenvolvidos. A ampliação da longevidade vai demandar novos tratamentos. E a compra de medicamentos, mesmo com a possibilidade de dedução do IR não será suficiente para garantir o tratamento prescrito pelo profissional de saúde.

Para se ter uma ideia dessa demanda, pacientes medicados com remédios para controlar as altas taxas de colesterol tiram do bolso cerca de R$ 1.267,48 por ano. Dados do Painel Saúde 2016, da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados), apontam ainda que as despesas totais com saúde alcançam 9% do PIB, ou R$ 561 bilhões. Os investimentos públicos no setor respondem por 41% desses recursos, ou 3,7% do PIB (R$ 231,9 bilhões). Já os gastos privados representam 59% desse montante ou 5,3% do PIB (R$ 329 bilhões). Um recorte nesses números aponta ainda que apenas os gastos particulares com saúde e medicamentos, que são as despesas das famílias brasileiras com o setor, alcançam 2,7% do PIB ou R$ 169,2 bilhões.

Por isso, a desoneração para os medicamentos deve ser um tema que devemos colocar como prioridade na nossa pauta sobre a saúde da população. O sistema tributário brasileiro precisa ser revisto como forma de garantir o bem-estar social. Ainda hoje, os remédios têm tributação de aproximadamente 34% nas farmácias do país. A média mundial para impostos desses produtos fica em 6%, mas pode variar de um país para outro. Canadá, Estados Unidos e Reino Unido têm tributação zero para medicamentos, enquanto países como Holanda, Bélgica, França, Portugal, Suíça e Itália tributam em até 10% esses itens. É uma realidade bem diferente da nossa e mostra que ainda não tomamos o rumo certo para garantir a saúde dos brasileiros, principalmente entre os mais carentes.

Outras iniciativas vêm facilitando o acesso da população brasileira aos medicamentos.  As empresas de PBMs (Programa de Benefício de Medicamentos) vem conquistando cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Criadas nos EUA na década de 1980, elas garantem às corporações atendimento na compra de medicamentos para os colaboradores com até 100% de cobertura. Isso permite ao trabalhador e seus familiares manterem o tratamento adequado, principalmente para as doenças crônicas, e ainda ajudam a reduzir custos para a própria empresa, diminuindo os indicadores de absenteísmo.

O Brasil precisa urgentemente definir uma política de acesso a medicamentos, um dos maiores gaps de nosso modelo de atenção à saúde, passando por revisão da política tributária e custeio dos medicamentos.

O Projeto de lei em questão é um avanço.

*Luiz Carlos Silveira Monteiro é presidente da ePharma e conselheiro da Asap (Aliança para Saúde Populacional)

Leia mais...Quando uma mulher descobre que está grávida, o mundo ao seu redor se transforma e tudo começa a girar em torno da sua saúde e do seu bebê. Mas apesar de esta fase da vida ser tão linda e esperada, muitas gestantes sentem dificuldade em escolher as melhores opções para se cuidar e definir o exercício físico mais adequado para o momento. Alguns médicos indicam o Pilates, por ser completo, porém sem saber que começar a praticar a atividade durante a gestação, sem nunca ter feito antes, é contraindicado, elevando os riscos de parto prematuro, diástase abdominal ou, até mesmo, o aborto.

Hoje em dia a mulher tem uma vida profissional muito mais ativa, o que, em muitos casos, faz com que haja um planejamento da gravidez. Para se ter uma recuperação mais rápida, aí sim entra o Método Pilates meses antes da gestação, pois ele irá preparar a musculatura abdominal, o assoalho pélvico e dar uma maior estabilidade à pelve e à coluna, evitando dores lombares e dando uma maior sustentação do útero no período da gestação.

O Autêntico Método Pilates de Condicionamento Físico e Mental (ou Contrologia) foi criado por Joseph Pilates há mais de 100 anos para mudar o corpo e a vida dos praticantes por meio de um sistema complexo de movimentos seguros e eficazes que ajuda as pessoas a cuidar do próprio corpo e conquistar uma vida saudável e feliz em todas as idades. Por meio da prática que trabalha de forma global e integrada o corpo físico, mental e emocional, os alunos conseguem melhorar postura, concentração, capacidade vascular e cardiorrespiratória, força, flexibilidade, resistência e controle motor, reduzir tensão muscular, estresse, fadiga e dores crônicas, eliminar as consequências do sedentarismo, reabilitar lesões e desacelerar processos degenerativos e de envelhecimento.

Os exercícios do Pilates podem beneficiar a futura mamãe e ajudá-la a manter uma boa postura, aliviar algumas dores habituais, diminuir a tensão muscular e sobrecarga articular, ter maior eficiência do sistema circulatório e linfático e consciência corporal. Porém, para que ela possa frequentar as aulas na gravidez, o ideal é que pratique o método há pelo menos seis meses e já tenha um "Power House"– região central do corpo, também chamada de "Centro de Força" ou "Core", que envolve os músculos abdominais, o assoalho pélvico e a musculatura das costas, tonificando pernas e braços e, assim, melhorando a sua estética.

O próprio Joseph Pilates não permitia que mulheres que não eram praticantes do Método antes de engravidarem fizessem seus exercícios na gestação, pois não tinham o Power House. Este conjunto de músculos sofre muitas mudanças durante a gravidez, por isso exigir mais dessa região pode causar muita sobrecarga e problemas como o risco de aborto, diástase abdominal, lesões no quadril e parto prematuro.

A praticante do Autêntico Pilates inicia sua gestação com um corpo mais preparado para as alterações que virão. E ao continuar com a atividade, a mulher mantém um equilíbrio físico e mental, controla o ganho de peso, trabalha para compensar as mudanças na pélvis, coluna e ombros e evita inchaços e dores nas costas. A prática na gravidez pode evitar que os músculos abdominais se separem muito, ao desenvolver uma maior estabilidade do corpo, coluna vertebral, pélvis e abdômen e estimular o músculo transverso.

Sabemos que há profissionais que dizem aplicar Pilates para gestantes, mas o Sr. Joseph Pilates e Romana Kryzanowska não permitiam a nenhuma grávida iniciar a atividade nesta situação, pois sabiam que há muitos riscos ao não saber usar corretamente a contração abdominal, o que pode "pressionar" assoalho pélvico, bexiga e útero para baixo. Se você já é praticante do Método antes de engravidar e o seu médico a liberou para frequentar as aulas, converse com o seu instrutor para que ele adapte todos os exercícios e realize um treinamento físico beneficiando-se do método e preparando-a para um parto mais tranquilo. E lembre-se: qualquer atividade física só deve ser praticada se houver a liberação de um médico devidamente qualificado.

* Inelia Garcia diretora técnica da rede The Pilates Studio Brasil Divulgação/FACES 

Leia mais...As lotéricas daqui a pouco estarão lotadas, com filas enormes, por causa da Mega-Sena da Virada, que, neste ano, premiará com R$ 280 milhões, o maior valor da história.. Muita gente aposta não só dinheiro, mas também a esperança em ganhar essa quantia de dinheiro e resolver, de uma vez por todas, a vida financeira. 

Embora a situação seja de euforia, é preciso cautela. Fazer “uma fezinha”, destinando pequenos valores para esta finalidade, faz parte da brincadeira e é divertido. No entanto, há pessoas que se tornam “viciadas” em apostar, o que, ao invés de ajudar, atrapalha – e muito – as finanças pessoais. 

O grande erro é achar que a única forma de se tornar independente financeiramente é por meio da sorte. Chegar a uma fase da vida em que não precisa mais trabalhar por necessidade, apenas por prazer, é um mérito de quem busca se educar financeiramente, planejando-se para alcançar esse objetivo. 

Na educação financeira, a pessoa aprende a ter sonhos materiais que serão realizados e entre estes sempre deverá estar o da independência financeira. Na Metodologia DSOP, dividimos os sonhos em: curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazo (mais de dez anos). Se tornar sustentável financeiramente deve ser um objetivo de longo prazo, porém, para atingir, o início deve ser imediato. 

Em uma aposta da Mega-Sena da Virada, a chance de acertar todos os seis números é de uma em 50.063.860, segundo os dados oficiais da Caixa Econômica Federal. Por outro lado, apostando na educação financeira, para se tornar sustentável financeiramente depende só de você. 

Para isso, o caminho deve ser o contrário do que normalmente fazem: ao receber seus rendimentos, a pessoa já deve, imediatamente, separar uma parte para os seus sonhos. Com isso, não haverá risco de cair nas tentações do consumo e não sobrar dinheiro para poupar. 

Também é fundamental que se saiba exatamente os valores desses sonhos, descobrindo, assim, o quanto deverá guardar mensalmente para cada um. O tipo de aplicação que deverá feito para realização dos sonhos também dependerá do tempo que pretende realizá-los. Para uma aposentadoria sustentável financeiramente, é preferível aplicações de longo prazo, como uma previdência privada ou título do tesouro direto. 

Enfim, o problema não é apostar, mas não ter consciência desses atos e apostar o seu futuro nisso. Se quiser realmente ter chances de ter o dinheiro para sua segurança financeira o caminho é ter sonhos e buscar educar-se financeiramente.

Reinaldo Domingos é doutor e mestre em educação financeira, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira, autor do best-seller Terapia Financeira, do lançamento Mesada não é só dinheiro, e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.

Leia mais...Chegando ao fim o ano de 2017 chega a hora do torcedor fazer um balanço. De pé a torcida apoia as ações que tanto cobrava, e que vêm sendo empreendidas, como a reforma do Estádio Antônio Accioly, o investimento maior nas categorias de base do clube e se regozija por ter ultrapassado o Goiás no Ranking da CBF, o Atlético é hoje o maior clube do Centro Oeste, estando entre os 20 maiores do Brasil. Porém, infelizmente, quando o atleticano se lembrar de 2017 terá mais o que lamentar do que comemorar. O ano que marcou os 80 anos do surgimento do Dragão Campineiro foi também o de campanhas pífias nos campeonatos que disputou, somou-se a isso o total descaso com a história do time, uma política de Marketing e Comunicação praticamente nula, e um clube cada vez mais fechado, hostil e distante de seu torcedor.

No que diz respeito ao desempenho dentro das quatro linhas, registrou-se uma vergonhosa atuação no Campeonato Goiano, um 4º lugar atrás de clubes com orçamento bem menor, como Aparecidense (Série D) e Vila Nova. Foram apenas 6 vitórias em 16 jogos disputados. Tudo isso no ano em que o Atlético era o único time goiano na série A. Para piorar, ainda figuram nessa campanha 4 derrotas em clássicos, três para o Goiás e uma para o Vila Nova. Chegamos então à terrível marca de três anos seguidos sem alcançar uma final do Campeonato Goiano.

Na Copa do Brasil vimos um time esforçado em campo, mas que acabou eliminado pelo Flamengo.

No Campeonato Brasileiro o Dragão segurou a lanterna do começo ao fim, em 19 jogos em Goiânia só alcançou 4 vitórias, nenhuma contra um dos grandes clubes do futebol brasileiro. Para o atleticano era um verdadeiro suplício acompanhar uma equipe tão fraca nos jogos do Serra Dourada ou do Olímpico, as chances de sair dali com alguma vitória eram mínimas.  Na contabilidade geral, o Rubro-Negro Goiano finalizou sua participação na série A com apenas 9 vitórias.  Na cabeça do torcedor pairavam as lembranças de quando o Dragão jogou Série A batendo de frente com os grandes clubes do Brasil, em 2010 e 2011, e fazendo dos jogos em Goiânia uma grande arma. De 56 jogos realizados na temporada de 2017, o atleticano só teve aquela alegria verdadeira em três ocasiões: nas vitórias contra o Vila Nova no Serra Dourada, pelo Campeonato Goiano, e contra Corinthians e Botafogo fora de casa, pelo Brasileiro. De resto, foram 53 jogos de derrotas, empates ou daquelas poucas vitórias contra times sem relevância para o torcedor, quando não se tem aquela gostosa motivação para “zoar” o adversário. O balanço final foi: 56 jogos, 26 derrotas, 15 empates e 15 vitórias.

Se dentro de campo a amargura do atleticano parecia não ter fim, fora de campo as coisas eram ainda mais graves. A relação entre clube e torcida foi das piores possíveis.

Tudo começou ainda no final de 2016 quando a Diretoria se negou a celebrar com a torcida o título da série B. Enquanto centenas de atleticanos esperavam na porta do Estádio Antônio Accioly a simples passagem de um jogador, da taça, dos diretores do clube... A celebração se dava em uma churrascaria, para poucos, bem longe do torcedor. Essa mesma torcida atleticana que foi fundamental na arrancada final do time na série B, na hora de comemorar parece que já não era mais tão importante para a Diretoria. A lembrança desse episódio fica ainda mais triste quando vemos tudo que o América Mineiro e o Paraná Clube fizeram em 2017 para suas torcidas, comemorando o acesso para a série A.

Já marcado por esse lamentável ocorrido, mas ainda com esperanças, o torcedor iniciou o ano seguinte esperando a implementação do Programa de Sócio Torcedor, que teria tudo para dar certo, tendo em vista o clima de empolgação com o acesso e o fato dos adversários locais amargarem mais um ano de série B. Porém, nada se viu, mais uma vez se perdeu uma grande oportunidade de aproximar o torcedor do clube e de crescer a torcida em um momento ímpar como aquele.

Pouco depois surge a tentativa de vender o mando de campo do jogo da Copa do Brasil, contra o Flamengo, para fora de Goiás. Justamente em um jogo decisivo, que poderia levar o Dragão para as quartas-de-final da competição. Naquela que era a hora de chamar a torcida para comparecer no Serra Dourada, para ela dar o show que já havia feito em outras oportunidades, como em 2010 contra o Palmeiras, pela mesma competição... A Diretoria tenta tirar o time de perto do torcedor. Mas por sorte da torcida tal iniciativa foi barrada pela própria CBF, o que não apaga mais esse descaso marcado no coração do atleticano.

E assim corriam as coisas, justo em 2017, quando o torcedor imaginava um ano glorioso, que iria sair com a camisa do clube, peito estufado, exuberante como “o único clube goiano na série A”, a realidade foi bem diferente, foi submetido a todo tipo de humilhação, não só em campo, mas também nas arquibancadas. Muitas vezes a torcida organizada do Atlético teve que ceder seu lugar para a torcida adversária no Estádio Olímpico, no tradicional local onde desde a Série B ficava posicionada, no meio de campo, de frente as câmeras de TV. Ao invés dos torcedores visitantes serem colocados atrás do gol, tomavam o lugar privilegiado da nossa torcida organizada. Resultado: Muitas vezes a torcida do Atlético mesmo sendo maioria parecia ser minoria para quem via o jogo pela TV, prejuízo sem tamanho para a imagem do clube. E as humilhações não param aí. Contra o Palmeiras no Estádio Olímpico a Diretoria não diferenciou os ingressos no momento da venda. O Atlético, clube mandante que só tem a obrigação de disponibilizar 10% dos ingressos para o visitante, fez sua própria torcida não encontrar ingressos para comprar, palmeirenses e cambistas compraram ingressos que deveriam estar reservados para a torcida atleticana. O atleticano ficou apertado e oprimido dentro do seu estádio, não teve seu local reservado garantido, sua segurança foi ameaçada e vários torcedores foram embora após tumulto e gás de pimenta ser jogado em idosos, mulheres e crianças. Fica o registro da louvável ação da torcida organizada do Atlético que ajudou a conter os palmeirenses que invadiam o lado atleticano, graças a eles se impediu uma tragédia maior.

Mas por incrível que pareça o ponto alto do desrespeito com o torcedor atleticano ainda estava por vir, foi no jogo contra o São Paulo, em que pela primeira vez em sua história o Atlético como mandante cedeu toda a arquibancada coberta, inclusive a parte Norte, para a torcida adversária. Coube aos atleticanos a vergonhosa posição de ficar atrás do gol. Mesmo em jogos onde sabíamos que seríamos minoria nunca havia sido cedida a parte reservada ao mandante, vide algumas finais do Campeonato Goiano e demais edições do Campeonato Brasileiro. E o mais interessante, o público total do jogo foi de 17.697 presentes, ou seja, se o Atlético tivesse dividido o estádio ao meio, como sempre fez, caberia tranquilamente a torcida do São Paulo, em maior número, na parte do estádio reservada a ela, visto que a capacidade do Serra Dourada é de 40.000 pessoas.

E as desilusões não pararam por aí, uma das maiores foi com as celebrações dos 80 anos do clube. Um total descaso com nossa linda história, sequer mencionaram também os 10 anos do titulo goiano de 2007, que pôs fim aos 18 anos sem títulos estaduais. 

 O Atlético não fez uma homenagem sequer a ex-jogadores, ex-dirigentes, torcedores históricos e fatos memoráveis de sua trajetória.

Se não fossem alguns meio de comunicação, como o jornal O Popular, que lançou matérias especiais com ex-jogadores, o Site Futebol de Goyaz e seu programa na Rádio 730, que fez um programa especial no aniversário do clube lembrando antigas conquistas, e a ação de uma associação de torcedores, a ACAD- Associação Antonio Accioly que fez uma festa em Campinas com homenagens a antigos jogadores, torcedores e dirigentes, produziu um vídeo com momentos marcantes da história do Atlético e fez uma camiseta com referência ao aniversário do clube... Não fosse isso, a celebração dos 80 anos da história do Atlético passaria em branco. A única ação do clube foi uma festa com ingressos a 180 reais, que mais parecia um evento da fornecedora de material esportivo, uma festa só para vender camisa, com um preço inacessível à maioria dos torcedores, e que não contou sequer com uma homenagem aos heróis que construíram os 80 anos de glórias do Dragão.

Durante o Campeonato Brasileiro ainda tivemos que ver, em um único jogo, um atleta sem nenhuma identidade com o Atlético, Walter, aparentemente por conta própria, usar uma camisa 80. Agora nos perguntamos, por que não um jogador, ídolo do título conquistado em 2016, como o goiano Jorginho ou o menino criado na base, Luis Fernando, jogarem o campeonato todo com uma camisa nº 80? O que custaria uma ação tão simples, mas tão impactante como essa?

Somam-se a tudo isso as recorrentes declarações de dirigentes contra a torcida do Atlético. A torcida no seu justo direito de reclamar da péssima campanha no Campeonato Brasileiro, do desmonte da base campeã na Série B e da montagem de 3 times em um só ano, teve como resposta a declaração do dirigente atleticano de que torcida do Atlético era “uma piada” (Fonte: Portal 730, 04/07/2017). Já no fim do ano, ao afirmarem que o Atlético enfim iria lançar o programa de Sócio Torcedor em 2018, disseram que o programa seria implementado “... para que o torcedor não tenha mais nenhuma desculpa para não ajudar o clube” (Fonte: Jornal O Popular, 15/12/2017).

A impressão que tais declarações nos dão é de que a Diretoria não gosta do torcedor, que prefeririam estar a frente de um clube de empresários, sem torcida, como o BOA, um Red Bull, um Grêmio Inhumense. Do contrário, o que explica essa necessidade em atacar o próprio torcedor do clube onde trabalha? Não foram esses mesmos torcedores que deram a maior média de público entre os clubes goianos na Serie B de 2016?  Os mesmo que lotaram todos os jogos no Estádio Olímpico na campanha do título?  Não são os que mantêm há vários anos o Atlético entre os maiores apostadores na Time Mania, a frente inclusive da tão falada torcida do Vila Nova ?

Fica a pergunta aos nossos dirigentes: Qual o sentido de um clube senão a sua torcida? Ao invés de tomar o torcedor como adversário, não é melhor essa Diretoria fazer uma autocrítica de como o Atlético deixou de aproveitar essa superexposição na série A para valorizar sua marca e crescer a torcida ? Que dificuldade é essa de se mirar nos grandes clubes e se aproximar do torcedor?  Por que a insistência em atacar a autoestima do torcedor o tempo todo? Já não basta parte da crônica esportiva verde e vermelha fazer isso?

A impressão que temos é que o Marketing e a Comunicação do Atlético estão regredindo. Há 10 anos, em 2007, com orçamento bem menor, o clube fez uma Camisa Retrô especial de Comemoração de seus 70 anos, fez uma Revista relembrando suas façanhas, reunia e homenageava ex-jogadores, estava aberto para venda de títulos de sócio proprietários e comemorava títulos com a torcida, vide as festas/shows de 2008 e 2009 no Accioly. Na década de 80 o clube comemorava títulos com festa na Avenida 24 de outubro e no Estádio Antônio Accioly.

Por que em 1957, em 1987 e em 2007, com muito menos recursos, as Diretorias do clube fizeram uma revista celebrando o aniversário do clube? Uma revista que poderia ser custeada por qualquer um dos patrocinadores ou mesmo ser paga com o dinheiro da sua venda. No ano do maior orçamento da história do clube não se dispuseram a reservar uma parte mínima para valorizar e divulgar os 80 anos de sua história. Com certeza o gasto seria menor do que o que foi gasto com salários e rescisões de jogadores como Abuda, Jeferson Nem e Everton Heleno. Afinal esses jogadores passam, o registro de nossa história fica.

Nossos dirigentes precisam entender que o Atlético é um time de origem popular e que para crescer sua torcida tem que ser com ações voltadas para o “povão”. Não vai ser com comemoração de título em Churrascaria, festa em boate, troféu fechado em sala de diretor, festa com ingresso a 180 reais que se vai atingir o povo, aumentar a torcida.

O Atlético precisa se espelhar nos grandes clubes, que têm sala de troféus, confeccionam camisas comemorativas, celebram seus ídolos, fazem as novas gerações reconhecerem as glórias do passado. Coisas simples, mas indispensáveis.

Se o Atlético chegou onde está hoje é por conta da história, torcida e patrimônio que conquistou nesses 80 anos. Se fosse fácil ser campeão, se dependesse única e exclusivamente das mãos de um ou outro, alguém já teria levado um Grêmio Inhumense, Grêmio Anápolis, um Aparecidense para a Série A. As novas gerações tem o direito de conhecer de quem foram as mãos e pés que nos fizeram chegar até aqui. Saber das histórias de Dona Maria Leila, que foi rainha nas festas juninas do clube, do papel da torcida feminina à época, histórias do Bar do Fiori, do Euripinho Roupeiro, Divino Porteiro, Dona Eva que lavava a roupa dos atletas, de Seu Ataide, Zuíno, Horieste Gomes, José Mendonça Teles, Respeita as Cores e sua Charanga, Barretão, Betos Bar, Pai Véi, Profeta , Divinão e tantos outros. Gente simples, mas sem as quais o Atlético não existiria.

É preciso relembrar o papel das primeiras torcidas organizadas do Atlético, nos anos 80, com Leonardo Bariani, a Máfia Atleticana, e sua posterior reorganização nos anos de 2005 e 2006, dando origem a tantas outras torcidas que a sucederam até chegar à fundação da gloriosa e atual TODA - Torcida Dragões Atleticanos.

Sequer conseguimos imaginar uma festa que pretendesse celebrar os 80 anos do Atlético sem reconhecer o papel daqueles que lutaram para não venderem o Estádio Antônio Accioly: Zenha, Omar do Carmo, Ivo, Álvaro Mello... Sem mencionar e procurar Pedro Bala, a família do saudoso Luizinho, Paguetti, Jair Porrete, Aldo, Lôro, Lindomar, Lino, Juninho... Depois como o clube pode cobrar gratidão de algum jogador?

Hoje o Atlético tem um grupo de torcedores que se dedicam a colecionar camisas antigas do Dragão, tendo já feito inclusive vários encontros e mostras. Por que o clube não mobiliza, chama esses torcedores, para dar visibilidade aos seus 80 anos? Só mais uma das ações de custo zero que foram ignoradas em 2017.

Por fim o torcedor já cansado mais uma vez se pergunta: “Até quando o Atlético terá que suportar cronistas como Juca Kfouri vociferar mentiras em rede nacional? Afirmando que o Atlético é time de empresários, de políticos, de verão, time sem torcida e sem história? Será que a diretoria não entende que para valorizar a marca do clube é indispensável deixar claro aos quatro cantos desse Brasil que o Atlético é o clube mais tradicional de Goiás? O pioneiro. O primeiro campeão, um clube campeão em todas as décadas desde que foi fundado?”. Com a palavra nossa Diretoria.

Porém, sob inspiração de Euclides da Cunha, posso dizer que todo atleticano é um forte, quem suportou toda sorte de ataques e tentativas de destruição de seu patrimônio, jejuns de títulos e más gestões e ainda se faz presente, não pode desistir. Apesar de tudo que passamos em 2017, o torcedor olha para 2018 esperançoso com o fato de poder voltar a assistir jogos no Estádio Antônio Accioly, com o investimento maior nas categorias de base e com o aceno para a efetivação do Programa de Sócio Torcedor. Esperamos que isso venha acompanhado com a abertura do clube, que voltem a vender títulos de sócio proprietário, algo que há alguns anos está bloqueado ao torcedor. Que venha com a exposição de seus troféus ao torcedor, reconstrução do busto de Antônio Accioly e a retomada de sua política de comunicação e marketing.

2018 se inicia com a firme convicção dos atleticanos de que as humilhações às quais a torcida foi submetida em 2017 não podem se repetir, o Atlético precisa aprender com seus erros, se reaproximar da torcida, porque quando o clube do povo joga em sua casa, em Campinas, e tem o torcedor ao seu lado, ninguém segura a Locomotiva Rubro-Negra, que venha 2018!!! Viva o Dragão Campineiro, tradição e glória do futebol goiano!!!

Paulo Winicius Teixeira de Paula é historiador e professor do Curso de História do IFG e mestre em História pela UFG. Sócio-Proprietário do Atlético Clube Goianiense. 

Leia mais...Minha primeira resolução de fim de ano é chegar ao fim do ano. Ou, pensando melhor: que o ano tenha um fim e que ele chegue. E nem precisa ser logo. Basta que seja minuto a minuto, hora a hora, dia a dia. Simples assim. 2017 foi um ano ímpar. Não teve como ele.  Sim, é uma redundância. Mas estou falando sério. E nisso 2017 foi igual a todos os outros anos. Não, não é um paradoxo. Nem uma charada. Apenas pense nisso.

Normalmente fazemos resoluções porque parece que a conta não fecha. A resolução de fim de ano é uma espécie de “esperem pra ver” ou “vocês não estão acreditando?” Isso tudo porque cremos que estamos em uma corrida, ou em um jogo, e as pontuações que obtivermos poderão ser trocadas ao final. Mas somente se chegarmos lá. Muito já se falou sobre esse “lá”, mas no fundo (como sabemos), “lá” é um lugar que não existe. Não é um corpo mais esguio, uma língua mais fluente, um curso de programação a mais no currículo. Não é um filho, um novo casamento, a viagem para a Índia. O lá está aqui, dentro da gente. É esse vazio que alguns mais céticos chamam de existência. Eu chamo apenas de vida.

Estamos aqui, essa é a grande verdade. E estar aqui dura por muito tempo. Tanto que nos perdemos. Não somos capazes de guardar na memória todo o tempo que estamos por aqui. Por isso, criamos uma marcação: horas, dias, meses, anos. Mas, mesmo assim, ainda é muita coisa. Então resolvemos destacar apenas alguns pontos desse tempo imenso: um dia para o aniversário; um para a mãe, outro para as crianças, um para a outra pessoa que está naquele momento com a gente. Ao longo dos 365 dias de um único ano, conseguimos ocupar uns dez, doze dias com esses eventos. O resto é uma imensa planície de minutos e horas passando entre um afazer e outro, uma série ou outra, um reality show e mais um, até mesmo uma novela, pelo menos até o fim do primeiro mês de exibição.

E então o ano vai acabando. Lembramos que ele passou e que foi longo, moroso, cansativo. Não, não! Existiram momentos maravilhosos! Aqueles dez ou doze momentos inesquecíveis. Ou foram só uns oito ou nove dessa vez? Ah, mas no ano que vem vai ser diferente, vai começar diferente, vai terminar diferente, vai ser todo ele diferente.

Evidentemente, não nos perguntamos como isso é possível, pois vivemos em um trem e a única chance de ser diferente é se ele descarrilar. No mais, nossa margem de escolha é ir para a cabine, olhar a janela ou ir para o bar tentar conversar com alguém. Ou - e é aí que quero chegar - tudo isso é só uma forma de dizer que esquecemos o mais básico e óbvio possível. Se não há necessariamente um “aí”, há, sem sombra de dúvida, um “aqui”, esse lugar e esse momento no qual me encontro. E não é a coisa mais ruim do mundo. Aliás, na categoria ruim, há centenas de situações que nem compensa começar a enumerar.

E aqui, nesse momento da minha reflexão, lembro da história contada pelo escritor americano David Foster Wallace: "dois jovens peixes estão nadando por aí e, por acaso, encontram um peixe mais velho nadando na direção contrária, que acena para eles e diz ‘Bom dia, meninos, como está a água?’ E os dois jovens peixes continuam nadando por um tempo, até que eventualmente um deles olha para o outro e fala: ‘O que diabos é água?’. É isso. É o que está aí, o tempo todo, o que eu desejo que continue. Um trem sobre os trilhos. Um avião no ar. O resto, ora, são meses e dias e horas e minutos. Começando agora!

*Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica pela UFPR 

Leia mais...As invenções são, quase sempre, novas roupagens de coisas já conhecidas, ou ao menos parte de coisas já conhecidas. Se para Aristóteles o encantamento vem, inclusive e principalmente, pelo reconhecimento, Freud explicou o estranho como algo já conhecido, mas em contexto distinto. De um modo e outro, a inovação, mesmo em processo disruptivo, é mais uma articulação de pensamento, que o surgimento de algo completamente novo.

Foi assim com o Natal, que é a roupagem cristã da festa pagã dedicada ao deus Sol, também a Saturno, deus da Agricultura, e à deusa persa Mitra, e que marca o solstício de inverno no hemisfério norte. Em 350 d.C., o Papa São Júlio I decretou o 25 de dezembro como data oficial para comemorar o nascimento de Jesus Cristo, tirando proveito de festejos já existentes. Foi a invenção de uma tradição que alcança nosso tempo.

As invenções são a marca da História, ela mesma uma invenção. O marco oficial da passagem da Pré-História para a História, a invenção da escrita, em aproximadamente 3.500 anos a.C., é prova disso. O calendário cristão, como o conhecemos, é uma invenção do século XVI e praticado a partir de 1582, graças ao papa Gregório XIII, que propôs alterações ao calendário solar já usado na época. Não por outro motivo o calendário ficou conhecido como gregoriano. A contagem dos anos é, desse modo, um ajuste realizado no século XVI.

Entre inovações e tradições, o ser humano se inscreve no mundo e escreve sua história. Em uma contemporaneidade, cujo modelo social deixou as razões religiosas e se organiza a partir da ciência, não tardará para termos novos contextos, ainda que se mantenham datas e festejos, como a cristandade fez em relação às festas pagãs. Esse pensamento reforça uma das máximas da inovação: inovação não se relaciona necessariamente com algo novo, mas com novas formas de gerar valor.

O pensamento inovador não tardou para sobrepor o bom velhinho, Papai Noel, a São Nicolau, generoso bispo e santo católico do século IV, em evidente processo de inovação sobre a tradição. Ainda que suas características contemporâneas só tenham sido apresentadas nos anos  1880, em criação gráfica do ilustrador alemão Thomas Nast, a tradição vem de há muito tempo, produto de constante transformação e fusão.

Esses fatos nos ajudam a lembrar que a tradição é uma invenção, mantida pela cultura de um povo, portanto, demarcada por um tempo histórico e um lugar. Não existiram sempre, tampouco existem em todos os lugares. A tradição de hoje foi, um dia, uma inovação, que nos alcança em função da cultura mantida e espalhada no tempo e espaço. Tradição e inovação são elementos próprios da cultura. Inovar é tradição, desde antes mesmo desses dois conceitos serem concebidos e compreendidos. E para manter a tradição, desejo um ótimo solstício de verão a todos, que pode ser traduzido, em nosso tempo e cultura, como  Feliz Natal.

* Cleomar Rocha, professor da Universidade Federal de Goiás

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