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Gustavo Elias (à esquerda) e Alexandre Nonato (à direita). Foto: Facebook/ Duo Goiás
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A viola debaixo do braço, o canto entoado, um manuscrito na mão. Assim se portavam os cavalheiros do início do século passado, que sem deixar a goianidade de lado, transcreviam para o papel os sons do nosso estado.

Refiro-me aos cancioneiros populares, que com sua simplicidade, fizeram do homem rural uma figura emblemática no folclore brasileiro. Mas, para que a poesia se transforme em canção é preciso melodia. E, talvez, nenhuma outra melodia seja tão significativa para o povo goiano quanto a que sai de um instrumento de arco e cordas friccionáveis que teria se difundido na Europa a partir do fim da era medieval, a viola.

Se hoje Goiás se destaca como celeiro nacional da música sertaneja, isso se deve ao passado dedilhado na viola caipira, embora as canções de outrora sejam de fato bem diferentes do que ouvimos as rádios ‘tocarem em frente’ atualmente.

Contudo, a viola caipira resiste – a duras penas, é preciso ressaltar – está viva nos braços dos cancioneiros do presente, que, a despeito da massificação da música sertaneja, insistem em tocá-la por aí.

Dia desses tive a prova disso, quando vi, ouvi e senti uma apresentação do Duo Goiás. Criado em 2013 com o objetivo de resgatar a importância da música caipira e do cancioneiro popular, o Duo é formado por Alexandre Nonato (Viola) e Gustavo Elias (Violão).

Amigo de Gustavo desde a adolescência, Alexandre destaca que a paixão de ambos pela música surgiu de forma despretensiosa, a partir de ensaios na garagem de casa. “Tudo começou há uns 15 anos atrás, sempre com essa coisa da música bem forte. A música de raiz é um estilo de música que a gente sempre gostou, então eu acho que na verdade foi a música de raiz que nos escolheu e não nós que escolhemos ela. O projeto meio que se configurou de uma coisa orgânica que a gente já tinha. A viola deixa um sentimento em quem toca e em quem escuta, é algo meio divinal”, acrescenta Alexandre Nonato.

A paixão pela interpretação de músicas de cancioneiros populares se reflete no repertório da dupla, influenciada por Edino Krieger, Gilberto Mendes, Elomar, Tom Jobim, Astor Piazzola, entre outros. Somam-se ao som da viola, elementos da música clássica, MPB e Pop.

Apesar de nutrirem um apreço especial pelas tradições goianas e possuírem composições que retratam o cerrado, o sertão, a cidade e manifestações tradicionais de Goiás como a folia e a moda de viola, os músicos preferem não rotular o trabalho que produzem.

“As goianidades são muitas. O estado de Goiás contempla uma série de manifestações populares, não é só a Folia, não é só a Catira. Na música isso não é diferente”, afirma Gustavo Elias.

Circuito Alternativo

Em Goiás, a sobrevivência da música regional enraizada na viola caipira se deve, em parte, aos festivais e ao circuito alternativo.

Segundo Alexandre Nonato, os desafios para quem está fora do dito ‘comercial’ são muitos e incluem percalços financeiros e dificuldades de formação de um público cativo. Todavia, o “underground regional” passa por um momento de efervescência e oportunidades para quem trabalha duro. “É um bom momento sim, vários amigos estão nessa estrada sim e estamos nos unindo para fazer algo maior. Tem muita gente talentosa trabalhando, como por exemplo, as meninas do Ave Eva, César Machado, Encontro Violado, etc”, resume.

Entre as principais canções interpretadas pelo Duo, destacam-se: Samba da Campininha, Chico da Serra, Uirapuru e E A Mata Gemeu. A agenda de shows e o contato da dupla estão disponíveis no seguinte link.

Conheça o Duo Goiás:

 

Ouça a 730
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(62) 98400-1757