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Demóstenes Torres. (Foto: Larissa Artiaga/ Portal 730)
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O ex-senador por Goiás, Demóstenes Torres, concedeu nesta quarta-feira (28), uma entrevista exclusiva à Rádio 730.

No diálogo com os jornalistas Cléber Ferreira, Eduardo Horácio e Rubens Salomão, Demóstenes confirmou que deseja retomar a carreira política. Confira:

Rubens Salomão: - O senhor acredita que voltará a ser senador em breve?

Demóstenes Torres: O Supremo Tribunal Federal (STF) tomou uma decisão taxativa que elimina as interceptações (telefônicas) feitas pelo juiz de primeira instância. No Senado o processo está morto e eu precisarei “revivê-lo” para “mata-lo” novamente. Se o Senado não reverter a situação eu vou entrar no Supremo com uma reclamação, dizendo que a decisão do STF não está sendo cumprida.

Eduardo Horácio: - Por que o senhor acha que a sua cassação será revertida sendo que o processo no Senado é político e não criminal?

Demóstenes Torres: O julgamento do Senado é político, mas o Supremo já decidiu que o processo é administrativo. Ao processo administrativo-disciplinar se aplicam todas as regras do processo judicial comum. Eu não estou questionando o que o Senado julgou, estou questionando o vício que teve dentro do processo. O STF determinou que as interceptações telefônicas fossem retiradas. Como durante esse período não conseguiram provar nada, o Tribunal não teve condições de prosseguir. Então, o Senado tem que votar em plenário uma decisão rescisória.

Rubens Salomão: - O senhor acabou criando muitos conflitos no senado durante o seu mandato. O Clima no Senado mudou para uma votação como essa?

Demóstenes Torres: Eu era um nome de oposição contundente no momento em que o mensalão estava sendo julgado. O PT imaginou que isso (uma denúncia contra o ex-senador) inibiria o julgamento do mensalão. Mas todos hoje procuram uma saída jurídica para suas situações. Como alguém pode dizer hoje no senado que uma decisão tem que sobreviver com base em prova ilícita? Isso prejudicaria a própria defesa futura deles.

Foto: Larissa Artiaga/ Portal 730
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Cléber Ferreira: -  Como a questão do vício é uma coisa inédita, em quanto tempo o senhor acredita que o caso será resolvido?

Demóstenes Torres: Acredito que o senado deva decidir isso até o fim do ano. Se o senado decidir favoravelmente a questão está resolvida. Se o senado não decidir até o final do ano, coloca em perigo de demora o meu direito e eu posso entrar com uma reclamação por omissão. Se o senado indeferir (a reclamação), eu posso entrar com um recurso no STF. Se o Supremo não me der uma liminar, não tem chance nenhuma porque o processo pode durar anos. Se eu receber essa liminar já poderei me filiar porque não tive os direitos políticos cassados.

Eduardo Horácio: - Em relação a 2012, o senhor tem alguma mágoa do ex-presidente regional do Democratas, o senador Ronaldo Caiado (DEM)?

Demóstenes Torres: O governador Marconi Perillo (PSDB) que na época estava na mesma situação, foi acudido pelo PSDB. Eles queriam pegar o Marconi, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detestava o governador, e acabaram me pegando por tabela. O meu partido me abandonou e com isso o único punido fui eu.

Cléber Ferreira: - O que o senhor aprendeu com tudo isso que viveu?

Demóstenes Torres: Aprendi que muita gente que pra mim estava em escala secundária, na verdade era minha amiga. O sofrimento nos ensina a reconhecer o erro.

Eduardo Horácio: - O senhor acha que errou em ser moralista?

Demóstenes Torres: Eu errei demais em ser moralista. Eu seria mais realista se voltasse para a política. Participei diretamente da criação de 181 leis. Sinceramente acho que fui um bom senador. Mas, se houve punição é porque houve causa. Não a ponto de perder o mandato por causa de uma amizade. Até porque, com os outros amigos não aconteceu nada.

Cléber Ferreira: - O senhor continua sendo amigo de Carlinhos Cachoeira?

Demóstenes Torres: Continuo amigo dele, não com a mesma intensidade, mas agora que ele está em dificuldades, se eu abandoná-lo, estarei fazendo o mesmo que fizeram comigo.

Eduardo Horácio: - Como é sua relação hoje com o governador Marconi Perillo e com o vice-governador José Eliton (PSDB)?

Demóstenes Torres: O José Eliton desde o primeiro minuto sempre me ajudou com pequenos gestos. Eu e o Marconi passamos a ter uma relação mais distante, não ruim – distante - porque raramente nos encontramos.

Rubens Salomão: - Se o senhor retomar os direitos e for candidato em 2018, como o senhor avalia as consequências dos desgastes que o senhor sofreu para uma futura disputa?

Demóstenes Torres: Eu desafio qualquer um a apresentar uma prova contra mim. Nenhuma prova foi apresentada. Isso é conversa fiada, o que existiu foi fragilidade política diante desse quadro. Hoje nós temos senadores acusados de desviar milhões e as coisas estão devidamente pacificadas.

Rubens Salomão: - Mas e a perspectiva eleitoral?

Demóstenes Torres: O povo é que vai decidir. Eu não traí ninguém e não roubei. Não estou dizendo que vou ser candidato, não quero é ter arranhões na minha vida. Eu posso reconquistar os direitos e não ser candidato.

Eduardo Horácio: - O senhor fala da hipótese de Maguito e Daniel Vilela se aliarem a José Eliton para as eleições do ano que vem. De onde surgiu essa informação?

Demóstenes Torres: O PMDB é um partido forte. Se o PMDB resolve ser um partido satélite de outro partido, como é o caso do Democratas, o PMDB deixa de ser um partido de primeira linha e passa a ser um partido auxiliar. Será que o PMDB vai aceitar isso? Eu não tenho convivência com o PMDB, mas eu imagino que Maguito e Daniel Vilela se não forem candidatos poderão abrir uma cisão.

Eduardo Horácio:- A candidatura de Ronaldo Caiado sobrevive sem o PMDB?

Demóstenes torres: O Caiado é forte e o nome hoje é mais importante do que o partido.

Eduardo Horácio: - O senhor se reconciliaria com Caiado?

Demóstenes Torres: Eu acho que essa fase (amizade) está encerrada, mas não sou idiota a ponto de não reconhecer a força que tem Ronaldo Caiado.

Cléber Ferreira: - Qual o lado do senhor hoje?

Demóstenes Torres: Sempre fui da base governista. O vice-governador José Eliton me convidou para ir para o PSDB, o deputado federal Jovair Arantes (PTB) me convidou para ir para o PTB e o senador Wilder Morais (PP) me chamou para o PP.

Cléber Ferreira: - E o senhor vai pra onde?

Demóstenes Torres: Não sei e nem sei se vou para algum partido.

Eduardo Horácio: - O senhor acha que o senador Wilder Morais está deslumbrado com o cargo?

Demóstenes Torres: Ele gostou de política e ele tem um bom relacionamento com os prefeitos. Ele tem um trâmite muito bom também no senado e no Palácio das Esmeraldas.

Eduardo Horácio: - O senhor acredita que na última hora ele vai ser rifado e a senadora Lúcia Vânia (PSB) será candidata?

Demóstenes Torres: Todos tem a legítima pretensão de ser candidatos, mas “na hora H” prevalece quem tem mais votos. Não descarto uma candidatura da Lúcia Vânia.

Cléber Ferreira: - O senhor estaria disposto a se candidatar à Câmara Federal?

Demóstenes Torres: É preciso ter humildade diante dos fatos. A possibilidade é aquela que o cidadão quiser.

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