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José Mujica (Foto: Reprodução/ Internet)
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O ex-presidente uruguaio José Mujica condenou neste sábado (06) a propriedade privada em um encontro em São Paulo organizado pelo Movimento dos Sem Terra (MST), no qual também defendeu as lutas pela reforma agrária e pela distribuição de renda.

"A terra não deve ser propriedade privada, deve ser de uso do povo", afirmou Mujica diante de milhares de participantes da segunda edição da Feira Nacional pela Reforma Agrária, organizada pelo MST.

Mujica, que ontem participou ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da abertura do congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), destacou a luta pela terra como necessária para gerar igualdade de renda sem estar submetido a uma cultura de mercado e à uma agricultura de produtividade.

"Lutamos pelo poder e pela civilização. Todo progresso humano e social está na terra. Se pode viver com uma alface, mas a vida não se compra", disse Mujica, ovacionado pelos participantes.

O ex-presidente uruguaio também defendeu a luta do MST no Brasil pela reforma agrária.

"Os lutadores sociais são a base da história, sempre o foram. Por isso estou aqui e continuarei estando. O fracasso que tivemos (em relação ao fim do governo do PT no Brasil) será irreversível para a natureza, mas temos que criar novas realidades nessas condições e não viver da nostalgia", afirmou.

Segundo Mujica, os latino-americanos têm que se unir para evitar que a América Latina, a região mais rica em recursos naturais do mundo, continue sendo também a região com mais injustiça social.

"Por isso estou aqui. Porque, além de ser latino-americano, o mundo está padecendo da pressão do capital financeiro e das grandes empresas. Ninguém nos dará nada gratuitamente. Sem luta social não há mudança", ressaltou Mujica.

"A civilização moderna substituiu a terra pelo lucro do mercado, que prostituiu tudo. Vão hipotecar a cultura da cozinha porque as pessoas não têm mais tempo, porque o mercado roubou o tempo da vida", completou o ex-presidente uruguaio.

Mujica também criticou as grandes empresas agrícolas por insistir em uma política lucrativa de mercado.

"A ciência não é má, é ruim o uso da ciência não para servir à vida, mas sim ao mercado. Esse é o problema. Como não vou defender a agricultura camponesa? Sou um camponês de alma e vou morrer pedindo pela terra", explicou Mujica.

O ex-presidente uruguaio foi o último orador do evento, que também contou com a participação do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, a chef Bela Gil, a atriz Leticia Sabatella, o ator Sérgio Manberti, e o economista João Pedro Stedile, principal liderança do MST.

Da Agência EFE

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