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Foto: Reprodução/ Internet
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A Assembleia Legislativa de Goiás realizou na manhã desta segunda-feira (24) uma solenidade de lançamento do Fórum Permanente Sobre o Acidente com o Césio-137. A tragédia que ceifou vidas ocorreu em Goiânia e completa três décadas neste ano de 2017.

A reunião contou com a presença de representantes da Associação das Vítimas do Césio-137 e da Associação dos Contaminados, Irradiados e Expostos ao Césio-137. Também participaram do lançamento instituições parceiras, como a Associação Hibakusha Brasil pela Paz, representada pelo seu diretor, Kunihiko Bonkohara, sobrevivente da bomba atômica lançada sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, em 1945. Além de Sérgio Dialetachi, ex-integrante do Greenpeace e expert na questão da energia nuclear e da Articulação Antinuclear Brasileira (AAB).

Coordenador do grupo, o professor Júlio Nascimento explicou que os objetivos do fórum vão muito além de fazer debates sobre os problemas enfrentados pelas vítimas, mas também buscarão lutar por seus direitos. “Vamos analisar a situação atual das vítimas, lutar por direitos como assistência à saúde, remédios e pensões, pois já se passaram 30 anos e já era hora de o Poder Público ter superado as dificuldades que enfrenta para superar esse dano.”

Júlio Nascimento informou que com o reforço de diversas instituições de Goiás, do Brasil e também do exterior, as atividades do Fórum serão levadas até a sociedade por meio de seminários, palestras, visitas dirigidas pelas vítimas aos locais do acidente e, também, através da internet. “Vamos trazer especialistas de outros locais do país e do mundo para pontuarmos mês a mês as atividades relacionadas às questões do césio 137.”

Um dos problemas mais mencionados durante o debate foi a questão do auxílio que as vítimas recebem. Maraes Pereira de Almeida, uma das vítimas da tragédia, tratou sobre a falta de respaldo do Poder Público quanto à saúde dos vitimados. “Tomo uma injeção que custa 500 reais. Não tenho condições financeiras para isso. Dessa forma, fico sem tomar essa medicação. Não temos condições de fazer o tratamento devido a situação financeira. Temos uma pensão do Estado que não chega a um salário mínimo, cerca de 700 reais mensais.”

A representante da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Suely Lina de Moraes reivindicou do Poder Público maior amparo aos padecentes. “Mesmo após 30 anos, o acidente ainda pode ter consequências gravíssimas para as vítimas”, lembrou.

Ela explicou que a AVCésio tem 1.200 pessoas associadas, sendo que 16 delas recebem R$ 1.560,00 de pensão e o restante recebe R$ 780,00. “Todos temos problemas de saúde e muitos dos médicos não sabem dar diagnóstico para nós. Antigamente, eles davam remédios a todas as vítimas, agora não fazem isso mais e não temos condições de pagar, pois a pensão é mínima.”

Além de problemas financeiros, as vítimas também sofrem problemas sociais, como preconceito. Esse é o caso da filha de Santos Francisco de Almeida, representante das vítimas militares e seus descendentes. Segundo ele, sua filha teve que terminar a escolaridade em uma cidade do interior, e mesmo assim, ainda sofreu discriminação. “Tal perseguição trouxe prejuízos emocionais, financeiros e também intelectuais a minha filha. Mesmo migrando para o interior do Estado ela não consegue ser respeitada como cidadã.”

O lançamento do fórum permanente ocorreu no Auditório Costa Lima da Casa de Leis e conforme a organização do evento, o espaço é aberto à participação de todas as pessoas e instituições que, compartilhando de seus objetivos, queiram somar forças por meio de projetos, experiências, estudos, pesquisas, reflexões, produções artísticas, etc. O e-mail informado para contato é o Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Com informações da Assembleia Legislativa

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