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Foto: Reprodução/ Internet
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Apesar de conquistas históricamente recentes como o direito ao voto e ao divórcio, quando o assunto é mercado de trabalho as mulheres ainda são obrigadas a enfrentar desconfianças, assédio e salários mais baixos em comparação aos valores pagos aos homens.

Segundo o Relatório de Desigualdade Global de Gênero 2016, do Fórum Econômico Mundial, entre os 144 países avaliados, o Brasil ocupa a 79ª posição do Índice Global de Disparidade de Gênero, tendo as participações econômica e política como as principais lacunas registradas.

Machismo

As dificuldades são ainda maiores em profissões tidas como masculinas. A barbeira Dayane Resende, por exemplo, afirma ter tido que se esforçar para superar os olhares desconfiados dos clientes no início da carreira. “Como não era um hábito ver uma mulher na barbearia cortando cabelo e fazendo barba, os clientes duvidavam muito da minha capacidade. Dizam coisas do tipo, ah se ela não conseguir cortar a gente raspa, ou então, ah mas como você aprendeu se não tem barba. Então o que me levou a continuar foi o amor.”

Thaynara Oliveira também é barbeira e ressalta que já passou por constrangimentos só por ser mulher. “Infelizmente hoje em dia as meninas têm que perguntar se tem algum problema eles serem atendidos por mulher, porque eu já passei alguns constrangimentos. Por exemplo, na minha vez de atender o cliente falou que preferia ser atendido por um homem. Entre as justificativas, eles falam que eu não tenho barba então talvez eu não saiba trabalhar com isso.”

Assim como as barbeiras Dayane e Thaynara, a jornalista Núbia Alves acredita que a mulher é obrigada a provar sua capacidade a todo o instante. No jornalismo esportivo, Núbia destaca que o maior adversário é o machismo, presente dentro e fora dos campos. “As condições de trabalho para a mulher no jornalismo esportivo são muito menores. Por exemplo, tem estádio que você vai que não tem banheiro feminino. Principalmente questão de banheiro, eles não montam o cenário e as estruturas do futebol para atender a mulher, a gente que se vire, é mais ou menos desse jeito. O preconceito afasta muitas mulheres do futebol.” pontua

Política

Para realizar transformações na sociedade é preciso que as mulheres se mobilizem politicamente. Embora elas representem mais da metade da população brasileira - conforme o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – segundo dados do governo federal, menos de 10% do total de parlamentares do país é do gênero feminino.

A vereadora por Goiânia, Sabrina Garcêz (PMB), assinala que no ambiente político o preconceito existe, mas de forma velada. “Primeiramente de ser aceita como igual. Infelizmente nós vemos a todo momento que os homens tentam se sobrepôr às mulheres. Recentemente eu vi uma pesquisa sobre as vezes em que as mulheres interrompem os homens e as vezes que os homens interrompem as mulheres em uma discussão no trabalho. É muito superior as vezes em que as mulheres são interrompidas, então muitas vezes até na nossa própria fala nós somos violentadas pelos homens.” assevera

Salários

No quesito econômico,o relatório mostra que no Brasil em mais da metade dos casos os homens ganham salários superiores aos das mulheres para desempenhar a mesma função.

Para a Engenheira Civil, Sara Stefan, os salários mais baixos estão ligados a uma visão machista sobre a inteligência da mulher. “Questões salariais são complicadas, a gente sabe que as mulheres geralmente ganham menos do que os homens. Hoje o meu salário está compatível em comparação aos homens, mas foi depois de mostrar serviço, depois de um tempo.” afirma

União

Para derrubar preconceitos e tabus, é preciso antes de mais nada que as próprias mulheres se unam. Nesse contexto, a literatura e as artes se apresentam como alternativas viáveis.

A doutoranda em literatura pela Universidade de Brasília (UNB), Maria Clara Dunck,afirma que o universo dos livros se constitui em um importante instrumento na luta pelos direitos femininos. “A gente discute muito isso no nosso clube de leitura, o Leia Mulheres, que está completando um ano em Goiânia. O Leia Mulheres é um clube que se encontra mensalmente para discutir livros escritos apenas por mulheres, com o objetivo de resgatar historicamente esses livros escritos por mulheres que não são reconhecidas. A iniciativa é aberta para homens e mulheres. Funciona como um espaço aberto também para as mulheres escritoras de Goiânia.”

Ouça a reportagem na íntegra:

 

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