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Foto: Site Jornal GGN
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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta quinta-feira (27) que a oposição participe de uma "mesa de paz e reconciliação" nas próximas horas, mostrando abertura ao diálogo antes da eleição da Assembleia Nacional Constituinte no domingo. Ao mesmo tempo, ele anunciou, também hoje, que estão proibidas, a partir de amanhã, todas as manifestações públicas que possam atrapalhar a  eleição, alertando que os que desobedecerem poderão sofrer sanções penais.

Maduro pediu que os opositores deixem de lado o "caminho insurrecional" e voltem seu foco para a Constituição, pedindo antes do início do pleito a instalação de uma "mesa de diálogo, acordo nacional e reconciliação da pátria".

"Porque se não for assim, eu entregarei à Constituinte todo o poder de convocar de maneira obrigatória um diálogo nacional de paz com uma lei constitucional", disse o presidente em Caracas, diante milhares de seguidores, no ato de encerramento da campanha para as eleições de domingo.

Maduro apresentou a ideia de formar uma "mesa nacional de entendimento para discutir os grandes temas do país" no último dia da greve geral convocada pela oposição para pressioná-lo a desistir da Constituinte, que, para muitos opositores, servirá para a consolidação da ditadura na Venezuela.

O presidente recriminou várias vezes os "atos terroristas" cometidos durante os protestos da oposição contra o governo e reiterou que não há outra alternativa a não ser a Constituinte para obter a paz. No entanto, não explicou se adiará a Assembleia Constituinte se a oposição aceitar dialogar.

Muitas vozes do governo e da oposição falaram nos últimos dias sobre um diálogo para evitar mais confrontos no domingo. Porém, nenhum dos lados mudou de posição sobre a Constituinte.

Proibições

O governo da Venezuela anunciou que estão proibidas, a partir de amanhã, todas as manifestações públicas que possam atrapalhar a realização da eleição dos representantes da Assembleia Nacional Constituinte no domingo. As Forças Armadas tomarão o controle de vários órgãos estatais e municipais amanhã e ficarão nesses locais até o domingo.

"Estão proibidas em todo o território nacional as reuniões e manifestações públicas, concentrações de pessoas e qualquer ato similar que possam perturbar ou afetar o normal desenvolvimento do processo eleitoral", disse o ministro do Interior, Néstor Reverol, em discurso transmitido em rede nacional de televisão.

"Credenciamos um grupo de oficiais da Força Armada Nacional Bolivariana (...) que estará encarregado e terá o controle operacional dos corpos estatais da Polícia e 19 corpos municipais de Polícia", anunciou Reverol em um discurso conjunto com os ministros de Defesa e a presidente do Poder Eleitoral.

O anúncio se deve ao fato que governadores e prefeitos da oposição têm o controle de alguns órgãos regionais de Polícia, que receberão intervenção das Forças Armadas a partir de amanhã.

"Quem organizar, apoiar ou instigar a realização de atividades dirigidas a perturbar a organização e o funcionamento do serviço eleitoral ou da vida social do país será punido com prisão de cinco a dez anos", completou o ministro.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), principal aliança de oposição ao governo, convocou para amanhã uma mobilização batizada como "tomada de Caracas", em  mais um ato para pressionar Maduro a retirar a proposta de Constituinte.

Fronteiras fiscalizadas

Reverol também antecipou a adoção de medidas habituais em dias de eleições, como uma maior fiscalização das fronteiras do país e a proibição de venda de bebidas alcoólicas. Foi proibida também a comercialização de fogos de artifício.

As eleições dos representantes para a Constituinte ocorrem em meio a vários atos de desobediência civil promovidos pela oposição para impedir um processo considerado como fraudulento.

Da Agência EFE via Agência Brasil

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