O governo da Holanda negou a aterrissagem no país do avião do ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Cavusoglu, como parte de uma disputa sobre a intenção do político turco de liderar um ato eleitoral em Rotterdam, uma das mais importantes cidades holandesas.

O governo holandês alegou riscos para a ordem e a segurança como motivo da proibição. Inicialmente, a equipe do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, estava disposta a permitir que Cavusoglu falasse a um grupo de convidados no consulado em Rotterdam.

No entanto, o governo holandês alegou que a convocação maciça aos turcos para que participassem do ato colocou em perigo a segurança pública. O governo da Holanda tentou negociar uma solução com a Turquia, mas, em meio às conversações, Cavusoglu ameaçou publicamente a Holanda com sanções econômicas e políticas.

“Isso tornou impossível encontrar uma solução sensata”, afirmou o governo holandês em comunicado. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, reagiu rápido, qualificando o governo da Holanda de “nazista” e advertindo que a Turquia poderia bloquear a entrada de diplomatas holandeses no país.

“A partir de agora, vamos ver como chegam os seus aviões à Turquia. Claro, refiro-me aos diplomatas, não às viagens dos cidadãos”, disse Erdogan, citado pela agência de notícias estatal turca Anadolu.

Cavusoglu planejava dirigir-se na tarde de ontem (11) aos seus compatriotas turcos na Holanda, pedindo que apoiassem a implementação de um sistema presidencialista no referendo convocado pelo governo turco para 16 de abril. A reforma constitucional dará mais poder a Erdogan.

Horas após o incidente com o ministro das Relações Exteriores, o carro da ministra turca de Assuntos de Família, Fatma Betul Sayin Kaya, foi detido enquanto ela tentava ir por terra da Alemanha a Rotterdam. As forças de segurança a detiveram primeiro brevemente, na fronteira. Já em Rotterdam, a ministra voltou a ser detida a 30 metros do consulado turco.

Vários apoiadores ficaram reunidos por horas com bandeiras turcas fora do consulado do país na Holanda, com uma forte presença policial. A polícia usou bastões e cachorros para dispersar a multidão. As autoridades holandesas pediram à ministra para abandonar o país. Após se negar a sair em seu carro, finalmente, nas primeiras horas do domingo (12), ela foi transportada em outro veículo até a fronteira com a Alemanha sob custódia policial.

Da Agência Brasil

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