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Foto: Divulgação
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Como se tornar ídolo no futebol sem ter conseguido títulos de expressão? Esta pergunta pode ter a resposta resumida em um nome: Maxlei dos Santos Luzia, ou melhor, Max. O ex-goleiro, que conseguiu conquistar milhares de pessoas por onde passou, mesmo não tendo alcançado grandes títulos e marcas, provou durante seus 19 anos de carreira que é possível adquirir admiração e se tornar referência dentro do futebol. Max não era uma máquina debaixo das traves de um gol, era um humano que errava, acertava e vivia de fases. Mas longe delas, era um anjo na vida de várias pessoas. 

Max passou por 11 times durante sua trajetória no futebol e não tem um desses clubes se quer que não admirem e respeitem o ex-jogador. Todos que trabalharam com ele são apenas elogios. Max nasceu no Rio de Janeiro e começou sua carreira na Ilha do Governador, pela Portuguesa em 1995. Depois passou discretamente pelo Bangu e Friburguense. Pelo América-RJ tinha tudo para ter mais uma passagem discreta, mas ao entrar como titular pela rodada final do Rio-São Paulo contra o Botafogo, viu a oportunidade de mudar o rumo de sua carreira. 

O Glorioso precisava de uma vitória para se classificar e seguir na competição, tarefa que parecia fácil já que o jogo era em cima do último colocado América, que vinha de 11 derrotas consecutivas. Mas Max fechou o gol, não deixou o alvinegro marcar e viu seu time conseguir a vitória aos 47 minutos da etapa final. Talvez por vergonha, talvez por admiração, talvez por mérito, não se sabe ao certo, mas logo após o vexame, Botafogo o contratou para a disputa do Brasileirão de 2002. Chegou ao time Alvinegro, mas não assumiu a titularidade e, do banco de reservas, viu o Botafogo cair para a segunda divisão pela primeira vez em sua história. 

Fato que poderia abalar a carreira do jovem goleiro, mas Max foi o titular na campanha da Série B em 2003 pelo time carioca e se tornou um dos protagonistas do acesso. Uma grande lição para quem está começando agora, Max viveu seu melhor momento em uma das piores fases do Botafogo. Três anos depois foi campeão estadual, o único título em oito anos do time carioca. Entre titularidades e reservas, vários erros e alguns acertos em jogos importantes, Max ficou até 2007 no Alvinegro, quando foi emprestado para o Vila Nova em 2008. 

Max desembarcou em Goiânia com uma certa desconfiança da torcida colorada, já que suas últimas partidas pelo Botafogo não haviam sido das melhores. Já começou como titular no Campeonato Goiano e teve um grande início, mas foi pego no exame anti-dopping no jogo conta a Anapolina por usar um remédio para dor de cabeça. Voltou no início do Brasileiro Série B e marcou seu nome na história do Vila Nova ao realizar uma excelente campanha com o clube e quase conseguir o acesso, terminando a competição em 6ª lugar. No ano seguinte disputou o Goianão pelo Itumbiara e retornou ao Tigre para a Série B, seguiu com grandes atuações, mas teve dificuldades em renovar com o clube. 

Depois Max passou por times como Joinville, quando conquistou o Brasileiro Série C. Em 2012 foi para o Boa Esprote, passou também por Gama e Barra da Tijuca, onde encerrou sua carreira em 2014. Em seus 19 anos de história com o futebol teve um título nacional (Série C), e quatro regionais: Campeonato Carioca 2ª divisão, em 1996; Campeonato Carioca 2006; Copa Santa Catarina 2011 e Taça Minas Gerais 2012. 

Personagens da carreira de Max 

Sizenando Ferro - "Nunca mais teve um goleiro como ele no Vila Nova" 

Hoje conselheiro, Sizenando foi o responsável por trazer Max para o Vila Nova em 2008. O profissional buscou referências e encontrou inúmeras sobre o ex-goleiro. Sizenando lembra que o jogador chegou em Goiânia com muita desconfiança, mas logo mostrou que tinha chegado ao clube colorado para marcar seu nome na história. 

- Foi um grande goleiro aqui no Vila Nova, um grande profissional e pessoa. Fui o responsável pela vinda dele na época, fizemos esforço e conseguimos traze-lo. No início, foi alvo de muitas críticas, muita gente não o considerava um bom goleiro, mas aqui ele provou o contrário. Em 2008 nos ajudou demais, foi um dos grandes responsáveis por nos fazer chegar onde chegamos e só deixou boas lembranças. 

- O Max na época era uma referência por ter jogado vários anos no Botafogo, na época estava na reserva lá no clube, mas as informações eram de que ele era um grande profissional. E aqui no Vila ele provou isso, nunca o vimos falar mais alto com ninguém, era uma pessoa de grande índole e acredito que desta época para cá no Vila Nova, nunca mais teve um goleiro como ele. 

Wando - "Ele fazia acontecer" 

Foto: Divulgação
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O ex-atacante Wando era o grande parceiro de Max dentro de campo e fora dele. Os dois eram quem trazia alegria e brincadeiras para a equipe. Sempre dividiam o quarto nas viagens, se concentravam juntos e compartilhavam experiências de vida. Wando lembra com muito carinho da determinação e vontade com que Max vestia a camisa do Vila Nova. 

"Muito triste, grande perda, ele era um grande homem. O Max é uma parte do meu passado, do que eu vivi no Vila Nova. Sempre ficávamos juntos no OBA, cara espetacular como pessoa, profissional, amigo. Criei uma irmandade com ele, vínculo muito forte. Em 2008 ele virava para a gente e dizia: "Olha, o jogo está duro, mas podem confiar, façam a parte de vocês que aqui no gol não vai passar nada". E era exatamente isto que acontecia, ele fazia acontecer" 

Roni - "Um dos maiores goleiros que tive a oportunidade de trabalhar" 

Roni também foi um dos personagens que marcaram a vida de Max. Roni era atacante e capitão da equipe, grande parceiro de Max dentro de campo, mas fora dele era ainda mais. Os dois ex-jogadores tem em comum o fato de terem conquistado a nação colorada e deixado seus nomes na história. 

- Era um grade irmão, pessoa do bem e está sendo muito difícil para mim. Ele era de dentro da minha casa, fazíamos várias coisas juntos. Ele era muito alegre, jovem, cheio de vida, com vários projetos. O Max foi um dos maiores goleiros que tive a oportunidade de trabalhar junto. Em 2010, quando o Vila estava para ser rebaixado, foi ele quem fez a diferença com várias defesas milagrosas  

Alex Oliveira - "Vestiu esta camisa com muito amor" 

O ex-jogador Alex Oliveira também fez parte da memorável campanha colorada na Série B em 2008. O meio-campista tinha uma admiração especial por Max e foi quem mais se emocionou ao lembrar do grande parceiro que vestiu a camisa do Vila Nova com tanto profissionalismo dentro e fora de campo. 

-Eu era muito próximo do Max, tínhamos uma amizade de família mesmo depois da nossa passagem pelo Vila Nova. É muito triste, estou sem chão, não sei lidar com perda. O que guardo do Max são apenas coisas boas. Espero que os torcedores do Vila lembrem dele com muito orgulho, muita saudade. Ele era extremamente profissional e vestiu esta camisa com muito amor. Irei levá-lo para sempre na minha vida. 

O adeus 

Maxlei dos Santos Luzia, mais conhecido como Max ou Anjo Negro pela torcida colorada, se despediu do mundo com 42 anos deixando uma esposa e um filho de 13 anos. Max teve morte cerebral confirmada nesta quarta-feira (26). O ex-jogador estava internado há cerca de um mês no Rio de Janeiro por conta de edema cerebral. Ao ser submetido a testes neurológicos na quarta, não respondeu aos estímulos. Max foi internado 20 dias após um acidente de carro em uma tentativa de assalto em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, mas o edema não tem relação com o acidente. 

Após a morte ser confirmada pelos médicos, Max recebeu algumas mensagens por onde já passou. Sua esposa, Marilda, escreveu: "Meu amor foi embora. Mas ele não morre para mim. Fui comunicada agora. O médico me falou... Estou vendo a possibilidade de doar os órgãos. Ele sempre foi uma boa pessoa. Estou aqui no CTI, perto dele... Entramos para ver ele, beijar ele, apertar a mão dele. Acho que ele gostaria que a gente doasse os órgãos. Acho que gostaria. Tenho que ver qual o trâmite agora". 

O Vila Nova publicou através de uma rede social suas lamentações pela morte do ex-goleiro. 

Foto: Divulgação VNFC
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Leia abaixo a nota oficial divulgada pelo Botafogo. 

O ex-goleiro Maxlei dos Santos Luzia, conhecido como Max, infelizmente teve morte encefálica confirmada na tarde desta quarta-feira, segundo informações do Hospital da Lagoa. Submetido a testes neurológicos, ele não respondeu aos estímulos, o que atestou a morte cerebral, aos 42 anos. 

Max foi goleiro do clube de 2003 a 2007, conquistando o Campeonato Carioca de 2006. Querido por todos, sempre foi um ótimo profissional e um exemplo como homem. 

O Botafogo manifesta seu pesar e solidariedade a familiares e amigos. Haverá um minuto de silêncio antes da partida contra o Atlético-MG, nesta quarta-feira. 

Botafogo de Futebol e Regatas 

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