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Foto: Rosiron Rodrigues / GEC
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Após o presidente do Conselho Deliberativo do Goiás, Hailé Pinheiro, confirmar o pedido de renúncia do Dr. Sérgio Rassi, em entrevista exclusiva à Rádio 730, o Goiás Esporte Clube marcou um pronuciamento para que Rassi pudesse falar sobre sua decisão. Como foi apenas um pronuciamento, não foi aberto para perguntas da imprensa presente na Serrinha na tarde desta sexta-feira (25).

Rassi iniciou seu discurso enaltecendo as conquistas financeiras que adquiriu com o clube em seus quase quatro anos de mandato: "Um torcedor, que se torna presidente do clube que ama, é a maior honraria que se pode ter [...] Temos todas as nossas contas em dias, sem nenhuma ressalva, ao longo desses anos. E isso me dá muito orgulho. Quando entrei em 2014 estávamos numa situação de quase penúria financeira. Tínhamos um passivo de quase R$24 milhões. Ao longo desses quase 4 anos quitamos todos os empréstimos feitos, de forma adiantada, da Rede Globo e Clube dos 13, não devemos mais nada para ninguém. Nossa diversão era pagar dívidas. Tivemos um crescimento, nesses quase 4 anos, de 400% da nossa receita", destacou.

Confira abaixo o restante do pronuciamento: 

“... vamos falar da parte mais incomodativa e tenho certeza que seria a pergunta de todos, se fossemos abrir essa conversa, o futebol. O futebol em 2014, quando assumimos o clube, o Goiás estava na Série A e com toda dificuldade financeira, não sei se vocês se lembram, mas delimitamos salários a 50 mil reais, em uma tentativa de sanear essas dívidas. E por incrível que pareça no nosso pior ano financeiramente, foi o nosso melhor, ou menos pior ano futebolisticamente falando. Gestor era o Marcelo Segurado, nós tivemos como treinadores o Claudinei Oliveira e o Ricardo Drubsky (pessoa fabulosa que conheci), ficamos em 12º lugar na Série A. Mantivemos na Série A com muito sacrifício. Veio 2015, um ano muito difícil financeiramente.

E final de 2015 já estávamos com a nossa situação financeira resolvida. O que era pra levar 10 à 20 anos, levou um à dois anos, mas cortando na própria carne. E aí não conseguimos evitar o descenso e caímos para a Série B. 2015, gestor de futebol Harlei Menezes, treinadores: Wagner Lopes, Hélio dos Anjos, Augusto, Julinho Camargo, Arthur Neto e Danny Sérgio. 2016, primeiro excesso. Eu cheguei pro seu Hailé e falei, queria que você aceitasse a reeleição e gostaria de mudar um pouco nosso processo de gestão e profissionalizar a gestão. E aí criamos os gestores, que funcionou muito bem, em todas as áreas, menos no futebol. Trouxemos um dos top five em gestores do futebol, Felipe Ximenes e foi nosso gestor até o fim do ano e trouxemos os seguintes treinadores: Enderson Moreira, que saiu e entrou o Léo Condé e saiu e entrou o Gilson Kleina, no finalzinho do campeonato brasileiro. 2017, tentamos uma solução caseira com o Harlei e não deu certo.

Estamos vivendo as consequências disso e sem ter terminado o ano tivemos Gilson Kleina, Sílvio Criciúma, Sérgio Soares (ficou apenas quatro partidas) e Argel Fucks, que está aqui. Nesse curso, o Harlei saiu do Goiás e aí tivemos meu querido amigo Osmar Lucindo (uma das pessoas mais corretas, mais honestas, mais competentes, mais trabalhadoras que eu conheci). E estamos aí, dando cabeçadas, tentamos no departamento de futebol acertar de todas as formas e não acertamos. Mas será que não foram os atletas, que nós contratamos mal? Em 2017, o Goiás é o time que, depois do Internacional, tem mais atletas oriundos da Série A. Vejamos os atletas contratados em 2017: Andrezinho (Série A), Carlinhos (Série A), Gustavão (Série A), Juan (Série A), Viçosa (Série A), Matheus Ferraz (Série A), Walter (Série A), Willians (Série A). Oito jogadores da Série A e com salários caros para jogarem a Série B, além disso: Elyeser (revelação do Campeonato Gaúcho), Marcelo Rangel (goleiro menos vazado no ano passado na série B), Thiago Luís (melhor jogador do campeonato goiano).

Não deu certo e não sei por quê. Baseado nisso, nessa situação crítica que estamos vivendo hoje, eu fui pra Pelotas e fiquei muito abatido com o resultado em Pelotas. Achei que seria um divisor de águas para nós. Se ganhássemos disputaríamos o acesso, se perdêssemos essa chance ficaria mais difícil. Tivemos fatores atenuantes, várias contusões, acho que nenhuma partida teve a mesma escalação até hoje. Isso é uma regra no futebol, não é novidade. Mas eu saí muito chateado desse jogo em Pelotas, e vim conversando no ônibus com o próprio Osmar. Chegando em Porto Alegre eu falei: Osmar eu tomei uma decisão nessa viagem. O Goiás precisa de uma coisa impactante, que mude o cenário do clube. A gente tentou contratar o Messi, o Cristiano Ronaldo, o Mourinho, o Tite, mas não deu.

Como o impacto positivo não teve êxito, nos restou o impacto na lateral, pra não dizer negativo. Osmar, nós temos que entregar pro nosso torcedor que está irado justificadamente. A gente tem que ter uma bandeja e colocar a cabeça de alguém nessa bandeja para o torcedor, pra mídia e às vezes até para nós mesmos. Das cabeças que estavam ali disponíveis, acho que a que poderia causar mais impacto era a minha. E assim eu vim pensando depois da viagem de Pelotas. Eu tenho certeza que se surtir efeito, mesmo com essa dor de sair do Goiás, o clube que eu amo, é uma segunda vida que eu fiz, mesmo assim terá valido a pena. Eu acho que vale mudar. É uma pessoa nova que vai entrar no meu lugar, com novas ideias, um perfil diferente de trabalhar, com bastante austeridade, mantendo as coisas que positivamente foram adquiridas, talvez com mais vivência no futebol do que eu, que é o Dr. Marcelo e que vai ser o nosso próximo presidente.

Então eu tenho certeza que o Goiás vai ser beneficiado com isso, mesmo eu tendo tentado falar com seu Hailé para que não fizesse minha cabeça persistindo para que eu não persistisse nessa intenção. Ainda tentou, mas eu felizmente consegui fazê-lo entender que eu não deixarei de ser torcedor do Goiás, conselheiro do Goiás e nem deixar de acompanhar o Goiás em hipótese alguma. Esse modelo de gestão deve começar ano que vem e eu acredito que será uma nova fase no Goiás, modernizada, mantendo os dois em cada uma das suas áreas e um comitê decidindo as coisas pelo grupo. Eu tentei fazer isso, mas isso não é estatutário. Agora não, seria de uma maneira estatutária.

Estamos trabalhando com nossos advogados em cima disso. Enfim, eu quero primeiro agradecer a todo esse time maravilhoso que trabalhei, eu só deixo amigos aqui. Meu carinho, meu agradecimento por vocês é muito grande, são pessoas que moram no meu coração e eu espero que o Goiás saia dessa situação e que esse sofrimento que eu estou passando contribua para melhores dias no Goiás. Se isso acontecer eu já estarei muito realizado. Eu quero pedir desculpas a minha família, aos meus filhos, aos meus netos, aos meus pais na minha ausência nesse período, mas eu vou reconquistá-los, Obrigado.”

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