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Leia mais...No jornalismo, quando uma grande oportunidade aparece para um profissional já consagrado, os benefícios ocorrem em efeito dominó e acabam propiciando outras benécias para profissionais que estão mais “abaixo” (digamos assim) em uma cadeia hierárquica.

Nas duas últimas semanas, o repórter Juliano Moreira teve a missão de ser o único jornalista de Goiás na Austrália para a cobertura de dois jogos da Seleção Brasileira em Melbourne. Sendo assim, a vaga na equipe de reportagem para a cobertura do Vila Nova ficou aberta.

Após a vitória do Vila Nova sobre o Guarani (realizada no dia 03/06 – neste jogo, estive na cobertura do Guarani), por 3 a 1, ainda no estádio Serra Dourada a direção da Rádio 730, através do diretor de esportes Charlie Pereira e do diretor-geral Nivaldo Carvalho, me comunicou que eu seria o responsável de estar na cobertura do Vila Nova até a volta de Juliano Moreira.

Leia mais...Não vou negar que tive um pouco de medo no início, mas logo me animei e passei a me concentrar tendo em vista a grande oportunidade que tinha pela frente. A partir de então, entrei de corpo e alma em tudo que tangia o Vila Nova.

Nas redes sociais da Rádio 730, fiz tudo que estava ao meu alcance. No meu perfil no Twitter (o @AMagalhaes730) realizei o “tempo real” de TODOS os treinamentos do Tigrão (algo que já fazia na cobertura da Aparecidense e do Goiânia). E para a minha felicidade, a resposta do torcedor colorado foi imediata!

Em quatro jogos, vi o Tigre conquistar sete pontos com duas vitórias e um empate. No meu primeiro jogo no Serra Dourada na cobertura do colorado, uma partida memorável em que o Vila (jogando com menos um), venceu o América-MG. Foi emocionante!

Com muita felicidade e com um gostinho de dever cumprido, “devolvo” a cobertura do Vila Nova para o companheiro Juliano Moreira, que realizou um grande trabalho na Austrália, diga-se de passagem.

Leia mais...Volto para a cobertura da Aparecidense na Série D e Goiânia na Divisão de Acesso. Porém, agora com o espírito renovado! Foi muito bom cobrir um time de massa, mesmo que por apenas duas semanas.

Obrigado a direção da 730 e espero outras oportunidades no futuro.

Aos torcedores do Vila Nova, muito obrigado pelo carinho e pelas mensagens.

Valeu, Tigrão! Até a próxima...

Leia mais...No início da última semana, tivemos a triste notícia de que Marcelo Cabo deixaria o Atlético. Cabo era adorado por todos que o cercavam e por isso gerou uma grande comoção na sua saída. Há tempos não se via uma coletiva especial quando algum treinador deixa um clube. Conhecendo bem o Atlético, sei que Cabo um dia voltará a comandar o clube rubro-negro.

Mas de toda essa história, o que mais me marcou foi uma entrevista do diretor de futebol Adson Batista, logo após a derrota para o Bahia, por 3 a 0, na última segunda-feira (05), na Arena Fonte Nova, em Salvador (BA). Na ocasião, Adson anunciou ao vivo a saída de Marcelo Cabo do comando do Atlético.

"O Marcelo me comunicou agora a pouco que não vê mais reação dos jogadores com o trabalho dele e acabou de entregar o cargo no vestiário. Me surpreendi com a decisão, estão todos de cabeça cheia, mas infelizmente preciso compreender. Os caras estão entregando, abaixando a cabeça, ele fez de tudo para mudar isso, reanimar o grupo, mas infelizmente essas coisas acontecem. Ele me chamou no canto e falou de toda a satisfação de trabalhar no Atlético, do carinho por todos e pelo clube. A culpa não é apenas dele, apostei em alguns jogadores que deram errado, sou homem para assumir isso", afirmou Adson à Rádio 730.

Após mais esta grande atitude - a de assumir seus erros publicamente logo após a quarta derrota consecutiva da equipe no Brasileirão -, me tornei ainda mais admirado na postura de Adson Batista como diretor de futebol. Mesmo em um momento tão adverso, Adson coloca sua cara a tapa e assumo suas responsabilidades, algo tão incomum no futebol goiano.

Lembranças de Harlei Menezes

Digo incomum por experiências próprias como produtor na Rádio 730. No dia 18 de outubro de 2015, após o Goiás perder quatro jogos consecutivos na Série A, o técnico Arthur Neto foi demitido ainda no vestiário da Vila Belmiro, onde o Goiás havia sido derrotado pelo Santos, por 3 a 1.

Após a notícia ser divulgada na 730, meu coordenador Charlie Pereira me designou a tarefa de entrar em contato com Harlei Menezes [assim como fizeram no caso de Adson Batista], para buscar explicações ao torcedor esmeraldino sobre a situação do Goiás. Vejam o que aconteceu...

Liguei para Harlei e ele logo atendeu. Eu disse: “Olá, Harlei! Aqui é Arthur Magalhães, da Rádio 730. Podemos...”. Harlei me cortou e logo disse: “Agora não, Arthur”. E desligou o telefone.

Dois meses depois, Harlei foi demitido após o rebaixamento do Goiás. Ficou um ano fora do esmeraldino, voltou no final de 2016 e entregou o cargo em março de 2017, após ter problemas com funcionários do clube.

Trazendo um pouco mais para a atualidade, nesta quarta-feira (07), o técnico Sérgio Soares, demitido do Goiás na última semana, concedeu entrevista à Rádio 730 detonando algumas atitudes do atual diretor de futebol do clube, Osmar Lucindo.

Perguntem se Osmar veio à público prestar esclarecimentos ao seu torcedor sobre as acusações que foram feitas? É claro que não! Os caras parecem estar “nem aí” para o que o torcedor pensa.

A diferença de um campeão

Adson dá uma aula de futebol. Fico imaginando se o Atlético tivesse o poderio financeiro do Goiás (que é umas 8x maior), o que Adson Batista faria...

No ano passado, o diretor montou um time que impressionou o Brasil. Se o Atlético tivesse conseguido manter o elenco, possivelmente não estaria em uma situação tão incômoda como está. Mas sabemos como é o futebol. Quando um time de médio/pequeno porte se destaca, o assédio de empresários rola solto. Todos atrás de uns $$ a mais.

Novo técnico

A priori, Adson Batista acerta mais uma vez. Agora com o Doriva, o Atlético pode buscar novos rumos nesta Série A. Experiente, o treinador chega com a difícil missão de remodelar um time que está fadado ao insucesso nesta competição. Desejo sorte ao novo treinador do Atlético!

Fracasso em 2017?

Neste ano, o Atlético não se deu bem no Goianão, mesmo com um nível de competição tão baixo. Na Copa do Brasil, acabou eliminado por um Flamengo que, após a precoce eliminação na Libertadores, estava diante de um “jogo da vida”. No Brasileirão vai de mal à pior.

Não sabemos qual coelho Adson tirará da cartola. Será apenas o Doriva ou tem mais surpresas vindo por aí? Assim é Adson Batista, um diretor campeão.

Quem nunca ouviu a frase “o Goiânia voltou”? Vejo esta conversa vir à tona desde 2008, ano da reestreia do Galo na Divisão de Acesso. A partir de então, se passaram dez anos e o primeiro grande clube de Goiânia ainda não conseguiu se reestabelecer.

A ausência do Galo em grandes competições fez com que torcedores de outras equipes da capital passassem a simpatizar e até torcer por uma volta do antigo rival.

Leia mais...No último domingo (28), o alvinegro estreou no estadual com vitória sobre o Aparecida, por 2 a 1. O duelo disputado no estádio Olímpico teve um público de 932 pagantes e 1.188 presentes.

Um grande erro foi cometido pela direção do Goiânia, comandada por Arione José de Paula. Apenas uma catraca esteve disponível para o acesso de torcedores ao tradicional estádio da Av. Paranaíba, algo que ocasionou grandes filas.

Apesar do público baixo, fiquei surpreso ao presenciar a quantidade de pessoas fora do estádio minutos antes da partida. O motivo: o policiamento ainda não estava presente no local, o que atrasou a abertura do portão.

Segundo informações não confirmadas pela direção do clube, o Goiânia acabou “esquecendo” de solicitar a Polícia Militar um efetivo para o jogo, algo que beira o amadorismo.

Leia mais...Para finalizar, lembro os preços dos ingressos para este jogo da segundona do Goianão: R$30 a inteira e R$15 a meia.

Como uma correlação, na Série A, o Santos está cobrando a partir de R$10 para o duelo com o Botafogo, na próxima quarta-feira (07), no estádio Pacaembu.

Além dos preços salgados, os ingressos foram comercializados em bilheterias apenas no dia do jogo. Nos dias anteriores, os bilhetes só eram encontrados de forma online em um site de vendas.

Com a média de idade da torcida do Goiânia um tanto elevada, é uma atitude um tanto irrisória da direção do Galo, não é? Rsrsrs...

Uma sugestão

Assim que o jogo de domingo terminou, procurei o presidente Arione de Paula e sugeri um modelo de vendas para o Galo. Como torcedores de outros clubes estão interessados em assistir jogos do Goiânia, o clube poderia criar uma ação de marketing para explorar esta demanda para angariar recursos.

Leia mais...Que tal colocar a venda antecipada de ingressos nos estádios Antônio Accioly, Onésio Brasileiro Alvarenga, Serrinha e Olímpico? Uma simples ligação para os presidentes dos clubes viabilizaria a venda.

Com uma migalha de dinheiro destinado a quatro ou cinco funcionários em forma de diária, conseguiria manter profissionais para realizar a comercialização em território rubro-negro, colorado e esmeraldino.

Além disso, se os ingressos forem cobrados por um preço um pouco mais simbólicos, cerca de R$10, a chance de torcedores de outros times irem aos jogos do Galo é grande.

Mensagem direta

A direção do Goiânia: é uma alternativa válida e não custa nada tentar.

Ao torcedor: não se anime, por que provavelmente esta sugestão não será levada em conta e tudo deve continuar como está. Infelizmente.

O vai e vem do Galo no Goianão

Em 1998, o Goiânia foi campeão da segundona. Em 2003, junto do Atlético, acabou rebaixado. No ano seguinte, por uma desistência do classificado Novo Horizonte, teve a chance de novamente disputar a primeira. Em 2005, um novo rebaixamento.

Em 2006 foi campeão da Divisão de Acesso. Em 2007, nem precisa falar. A partir de então o clube alvinegro não conseguiu se reintegrar a elite estadual.

Em 2014 quase foi rebaixado à terceira divisão. Por um ponto (sim, apenas por um ponto) o Galo conseguiu a permanência na segunda. No último ano, com um projeto amplamente divulgado na imprensa, que tinha Eduardo Machado na presidência, acabou fracassando na competição e não alcançando o êxito.

Agora, com Raimundo Queiroz, Gutemberg Veronez e outros mais, o tradicional Goiânia tenta o retorno à elite.

Leia mais...A defesa da Aparecidense é a menos vazada do Goianão, ao lado da do Iporá, com apenas 12 gols sofridos. O Goiás sofreu cinco a mais que o Camaleão, o Vila três e o Atlético um. Sendo assim, a maioria dos jogadores que compõem as posições defensivas da minha seleção são do time da cidade de Aparecida de Goiânia.

No meio, os volantes Clécio (Aparecidense) [que marcou dois golaços na vitória sobre o Goiás, em plena Serrinha] e Felipe Baiano [que frequentemente realiza grandes atuações] foram destaques neste campeonato. Os meias Robert (Aparecidense) e Jorginho (Atlético), ambos com cinco gols, somaram muitos pontos para suas equipes.

No ataque, Gilmar (Itumbiara) e Léo Gamalho (Goiás) [que, inclusive, ficou fora por cinco partidas] estão desequilibrando. Gostaria de citar negativamente os jogadores Nonato (Goianésia), Frontini (Crac), Tozin (Aparecidense), Walter (até então no Goiás) e Júnior Viçosa (Atlético) [este até começou a realizar boas atuações na reta final], que no início do Goianão eram cotados à briga pela artilharia.

Aponto Zé Teodoro como o melhor técnico deste Goianão. O grande jejum de quatro jogos sem vitória no início da competição não foram suficientes para o experiente treinador perder o comando do grupo. Pelo contrário, a união e paciência que teve com os jogadores, aliada a uma rotina de treinamentos milimetricamente calculada, fizeram com que o time da Aparecidense chegasse à semifinal do estadual em primeiro no geral.

A Fera do Goianão, como não poderia ser diferente, é o grande Léo Gamalho, do Goiás. Reparem nas atuações de Léo: ele está sempre desmarcado. Dificilmente o verá gritando em campo ou perdendo o controle. A calma com os companheiros e sua frieza de matador fez com que o início de ano do Goiás não fosse um desastre total. A grande revelação, sem dúvidas, é o jovem atacante João Pedro, do Atlético. Com 18 anos, o atacante marcou quatro gols em suas três primeiras partidas.

Na arbitragem, acabei “colando” os votos do companheiro André Rodrigues, já que não acompanhei o desempenho dos nossos trios pari passu.

Minha Seleção do Goianão:

Goleiro: Cleriston (Iporá)
Lateral-direito: Rafael Cruz (Aparecidense)
Zagueiro: Mirita (Aparecidense)
Zagueiro: Robson (Aparecidense)
Lateral-esquerdo: Hélder (Aparecidense)
Volante: Clécio (Aparecidense)
Volante: Felipe Baiano (Anápolis)
Meia: Robert (Aparecidense)
Meia: Jorginho (Atlético)
Atacante: Léo Gamalho (Goiás)
Atacante: Gilmar (Itumbiara)

Técnico: Zé Teodoro (Aparecidense)

Árbitro: Eduardo Tomaz
Assistente: Bruno Pires
Assistente: Fabrício Vilarinho

Revelação: João Pedro (Atlético)

Fera do Goianão: Léo Gamalho (Goiás)

Como uma forma de celebração ao aniversário de 74 anos do Goiás Esporte Clube, decidi abrir o espaço do meu blog para a torcida esmeraldina demonstrar seu carinho com o maior clube da região Centro-Oeste. O esmeraldino João Paulo Tito escreveu um precioso texto contando a rica história da maior equipe da capital goiana. Confira!

Leia mais...“O Goiás Esporte Clube foi fundado no dia 06 de abril de 1943, em Goiânia. Obviamente, nem de longe se parecia com o time de hoje - em patrimônio, torcida ou títulos, isso todo mundo sabe. O que pouca gente sabe é que até o nome deveria ser diferente: "Palestra". Lino Barsi, idealizador e um dos fundadores do clube, paulista de São Joaquim da Barra, descendente de italianos, seguindo seu amor pela Itália e a tendência já inaugurada por Palmeiras e Cruzeiro - times que também se chamavam "Palestra" lá pelos idos da década de 40 - queria trazer a tradição para o cerrado goiano. Entretanto, foi barrado por um decreto de Getúlio Vargas que proibia estrangeirismos italianos, alemães e japoneses na língua portuguesa - obviamente preocupado com a conjuntura internacional da Segunda Guerra Mundial. E assim, atendendo a um pedido direto de Pedro Ludovico Teixeira, interventor nomeado pelo governo federal, Barsi batizou nosso querido alviverde de "Goiaz F.B.C.", dando projeção nacional a nosso Estado. A vitrine de Goiás, diriam os rivais alguns anos depois, em tom de desdém, já que representavam apenas bairros da capital.

Mas a precariedade de um início de carreira está longe do que sequer possamos imaginar. Dificuldades aos montes. As décadas iniciais de 40 e 50 não foram muito profícuas, e o primeiro título estadual apareceu apenas em 1966, depois de muita luta para deixar o amadorismo para trás. As vitórias só começaram a virar rotina a partir da década de 70. Foram 4 títulos estaduais e a primeira participação num Campeonato Brasileiro, em 1973, no qual o clube terminou em 13º colocado, inclusive com um empate histórico em 4x4 contra o Santos de Pelé, num Pacaembu lotado. Nada mal.

Leia mais...Devagar e sempre, subindo um degrau de cada vez, o Goiás ascendeu no futebol e bateu seus principais rivais regionais, lançando grandes ídolos (Tão Segurado, Lincoln, Matinha, Paghetti, Zé Teodoro, Baltazar, Túlio, Luvanor, Sílvio Criciúma, Araújo, Josué, Aloisio, Fernandão, Alex Dias, Dimba, Dill, Paulo Baier, Harlei, e muitos outros) e consolidando-se entre os mais tradicionais do Brasil. Foi o único time goiano a participar de uma Libertadores da América, e já em 2004 estreou internacionalmente também na Copa Sulamericana, chegando à final da competição em 2010.

Em resumo: o Goiás Esporte Clube conquistou 2 Campeonatos Brasileiros - série B (1999 e 2012), 3 Copas Centro-Oeste (2000, 2001 e 2002), 26 Campeonatos Goianos (inclusive um pentacampeonato, entre 1996 e 2000), 1 Torneio Granada Cup (2015), dentre inúmeros outros quadrangulares estaduais e torneios isolados. 4 artilheiros oficialmente consagrados no Campeonato Brasileiro (1989 com Túlio, 2000 com Dill, 2003 com Dimba e 2006 com Souza). Melhor ataque do Brasil em 2012, e segunda maior invencibilidade da História em casa, atrás apenas de Atlético-MG. 18o no Ranking da CBF. 30o no da Conmebol e 107o no Mundo, pela IFFHS.

Leia mais...Eu não sabia de nada disso quando tinha 10 anos de idade. "O que eu faço com esses números?", diria Humberto Gessinger. No dia 04/11/1995, quando percorri os anéis internos do Serra Dourada, subindo a rampa em direção às cadeiras de mãos dadas com meu pai, eu não tinha a menor ideia do que iria encontrar. Assim que saí pelo túnel e dei de cara com aquela enorme massa verde e branca do outro lado, agitando bandeiras e emanando cânticos, quase a ponto de explodir, vi pela primeira vez, arrepiado, algo que eu nunca havia visto na vida. Aquilo era o futebol de verdade, em sua expressão mais humana e passional. Eu não tinha nem ideia de que aquilo existia quando comemorava meus gols lá na rua de casa, jogando golzinho de chinela Rider.

O jogo era Goiás e Corinthians, segundo turno do Campeonato Brasileiro de 1995, um campeonato do qual não havia assistido a nenhum jogo. Futebol pra mim, até então, era arrancar o toco do dedo numa disputa de bola no asfalto. Sim, reconheço, talvez eu tenha começado tarde nas arquibancadas. Era meu primeiro contato, de verdade, com o Goiás, e dentro de campo éramos nós contra eles, os paulistas. O Corinthians começou ganhando, Magrão errou pênalti, mas a virada de placar no final garantiu uma primeira experiência fora do comum. Teve briga no final do jogo, e pela janela traseira do carro deu tempo de ver a chuva de pedras combatidas pela cavalaria da PM com cassetetes e balas de borracha. Cara, futebol não era para qualquer um. Porque futebol não acontece só dentro de campo.

Leia mais...A trajetória do Goiás Esporte Clube já estava rolando há 52 anos quando eu fui me juntar a ela, lá do alto do anonimato da arquibancada, naqueles tímidos 10 anos de idade. Não adianta xingar sozinho lá de cima. Ali, só existe o coletivo, o "nós" (foi engraçadíssimo quando, num jogo Bragantino x Goiás, já em 2012, lá no estádio do sanduíche de calabresa do Luciano do Valle, em Bragança Paulista, o Felipe Amorim escutou a gente xingando ele da arquibancada - que tinha só uns 5 esmeraldinos - e pediu desculpas. Eu juro!).

Como todo torcedor, inexperiente no início, aos poucos fui percebendo que, apesar da trajetória vitoriosa do Goiás, existiam muitos percalços. Muitos. Sempre. O gosto é amargo, mas o aprendizado fica. Foi assim na eliminação para o Paulo Nunes, no Campeonato Brasileiro de 1996. Foi assim nos rebaixamentos para a série B - os que acompanhei em 1998, 2010 e 2015; foi assim no gol que o Harlei tomou sentado, e no pênalti cobrado por Felipe, que eu ouvi ecoar na trave, na final da Copa Sulamericana, em 2010; foi assim em cada derrota burocrática sofrida de propósito, por motivos de bastidores. Em cada jogador ídolo em um ano, e traidor da pátria no ano seguinte (André Dias, Rodrigo, Goulart, Walter, para ficar com os mais recentes). Mas a História mostra que a camisa é maior do que quem a veste. Que o clube continua, apesar das manchas.

Leia mais...Aliás, no dia 12/12/1999, eu ouvi, pela primeira vez, a expressão "jogo de compadres". Felizmente, um compadrio que nos beneficiava, mas não beneficiava o espetáculo. Era a 6a e última rodada do quadrangular final do Campeonato Brasileiro - Série B, Goiás x Santa Cruz. O verde já contava com pontuação suficiente para subir campeão para a série A. Nenhum placar afetaria a classificação final. Se quisessem, os jogadores poderiam até marcar um churrasco para o mesmo dia, mesma hora, e assumir um luxuoso W.O. Fernandão já havia feito seu mítico gol de bicicleta rodadas antes (infelizmente, perdi), a festa já havia sido aproveitada de inúmeras maneiras. E aquele, um dos jogos mais burocráticos que o Goiás já fez. Edson Rodrigues já declarava no rádio: "É pra cumprir tabela". Mas eu estava lá, com meu pai, meu avô, meus irmãos. Assistimos um jogo horroroso, que ficou no 0x0 e deixou aquela sensação de perda de tempo. Mas também rolou uma das coisas mais bonitas que eu já vi, em toda a minha história com o Goiás Esporte Clube (inclusive considerando a virada histórica em cima do Palmeiras em 2010, no Pacaembu lotado - e calado - pela Sulamericana). Assim que o apito final ecoou, os foguetes estouraram e as palmas começaram, olhei para o lado e vi meu avô chorando, sacudindo uma bandeira verde.

Os números são importantes, claro! A estatística, os contratos, a gestão. Mas o Goiás Esporte Clube foi fundado há 74 anos por 33 torcedores que, antes de mais nada, deram início a um sentimento. E esse sentimento que veio impregnado no idealismo de Tão Segurado, na garra de Lincoln e de cada jogador que honrou a camisa verde e branco dentro de campo, permanece até hoje no coração dos mais de 1 milhão de torcedores esmeraldinos.

Talvez o clube não seja para sempre (apenas) o maior do centro-oeste. Talvez entre em declínio, talvez seja campeão continental. Os números mudam constantemente, não dá para confiar. Mas o que importa é que o Goiás Esporte Clube será, para sempre, meu avô chorando, hasteando orgulhoso uma bandeira verde e branca, do alto do anonimato de uma arquibancada.”

Por João Paulo Lopes Tito - Advogado e estudante de Cinema e Audiovisual.

Como uma forma de celebração do aniversário de 80 anos do Atlético Clube Goianiense, decidi abrir o espaço do meu blog para a torcida atleticana demonstrar seu carinho com o clube campineiro. O rubro-negro Paulo Winícius Maskote escreveu um belo texto contando a rica história da equipe mais antiga da capital goiana. Confira!

“Nesse dia 02 de abril o Atlético completa 80 anos, festejos e homenagens tomam conta do noticiário esportivo, afinal de contas estamos falando do clube mais antigo, do primeiro campeão do Estado. Porém essa história bonita ainda é pouco conhecida pela maioria dos torcedores goianos, o Dragão, campeão em todas as décadas, não tem uma sala de troféus, um museu, um espaço para exposição e celebração de suas façanhas, e para piorar está com seu estádio, no tradicional bairro de Campinas, sem atividades para o torcedor. É nesse contexto que chama a atenção, dentre tantas celebrações, a iniciativa de torcedores que clamam pela revitalização do Estádio Antônio Accioly e por uma atenção maior para a linda história rubro-negra.

A história do Atlético se confunde com a história de Goiânia, que foi fundada em 1933. O Atlético Clube Goianiense foi o primeiro clube a ser organizado na nova capital. Foi fundado em 1937.

Logo após, em 1938, foi fundado o Goiânia Esporte Clube, e em 1943, o Goiás Esporte Clube e o Vila Nova Futebol Clube.

Os fundadores do Dragão se dividiam entre torcedores do Clube de Regatas do Flamengo e do São Paulo Futebol Clube. Daí a origem da camisa atleticana, com listras vermelhas e pretas e com o brasão semelhante ao do time paulista. Isto porque o rádio na época era o maior meio de comunicação e as notícias vinham do eixo Rio-São Paulo.

Foram fundadores do Dragão: Nicanor Gordo, Alberto Alves Gordo, Afonso Gordo, Edson Hermano, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti e Benjamim Roriz.

No início de sua trajetória o Atlético teve como grande rival o Goiânia. Como os dois primeiros times goianos, essa rivalidade e hegemonia se firmaram entre as décadas de 40 e 50. Só nas décadas de 60 e 70, o Goiás e o Vila Nova entraram no cenário das disputas.

O Atlético foi o primeiro time da capital a ter um estádio próprio, com o nome de Antônio Accioly, em homenagem a um dos maiores dirigentes de sua história.

Leia mais...Ainda na década de 40 o Atlético já fazia história, foi o primeiro clube goiano a revelar um grande jogador para o Futebol Nacional: Washington da Silva, o “Goiano”. Ele levou o Atlético a conquistar, de forma invicta, o primeiro campeonato goiano da história, o de 1944. O “Goiano” foi parar no Corinthians, tendo levado o time ao bicampeonato paulista no início da década de 50. Washington é considerado um dos maiores zagueiros da história do Corinthians, fazendo parte até hoje do Museu da Fama do time alvinegro, constando em sua galeria de ídolos.

Na década de 50 o Atlético conquista o campeonato goiano de forma invicta, em 1955 e 1957. Façanha que nenhum clube bateu até hoje, o Atlético é o maior campeão invicto da história do futebol goiano, com três conquistas: 1944,1955 e 1957.

Nessa mesma década o rubro-negro se torna o primeiro time goiano a vencer uma grande equipe brasileira, do eixo Rio-São Paulo, bate o time do São Paulo, do craque da seleção Zizinho, por 1x0 no Estádio Olímpico, em 1958.

Foi também o primeiro clube goiano a disputar uma partida internacional, em 1958, contra o Vila Rica do Paraguai, também no Estádio Olímpico.

Leia mais...O Atlético se destacou, desde sua fundação, por ser um time popular, com raízes comunitárias, time e torcida de trabalhadores e pequenos comerciantes, por isso recebeu o apelido pela imprensa da época de “O Clube do Povo’. Em contraposição ao perfil popular do Dragão Campineiro tínhamos, nas décadas de 40 e 50, o time do  Goiânia, que era o time de Pedro Ludovico Teixeira, político importante e que foi Governador de Goiás. É preciso lembrar que o futebol não era profissional, os jogadores não tinham salário para se dedicarem exclusivamente ao futebol, e nessa conjuntura muitos dos jogadores do Goiânia, além de jogadores, eram contratados como funcionários públicos (fantasmas), por isso o Galo ficou conhecido por ‘Time Chapa Branca’, porque foi muito beneficiado pelo Governo do Estado.

O Dragão inicia a década de 60 mantendo-se como o clube de maior torcida do Estado e em 1964 conquista o Campeonato Goiano.

O Atlético vai conseguir ainda as melhores colocações de um time goiano na Taça Brasil, em 1965 e 1968, sendo que em 1965, ficou em 10.º lugar e em 1968 ficou na 6.ª colocação, tendo perdido nessa ocasião apenas para o time do Cruzeiro, que tinha estrelas como Piaza, Tostão, jogadores estes que levaram o Brasil ao tri-campeonato mundial na década de 70. A Taça Brasil correspondia ao Campeonato Brasileiro da série A de hoje. Também nos anos 60 o rubro-negro revela o jogador Luizinho, que foi para o Vasco da Gama.

Há de se destacar que é nessa década que o Vila Nova começa a ganhar títulos, tendo conquistado então um tri campeonato goiano. O Vila é considerado por alguns como um time irmão do Atlético, por ser também clube de caráter popular e de bases comunitárias, todos os dois tem vínculos profundos com seus bairros. O dirigente atleticano Antonio Accioly chegou a ajudar também o Vila Nova. A grande rivalidade do futebol goiano na década de 1960 foi o embate entre o Dragão e o Tigrão.  Curioso que algum tempo depois, em 1986, houve um jogo amistoso entre intelectuais torcedores do Vila Nova e do Atlético Goianiense intitulado ‘Prosadores (Atletico) x Poetas (Vila Nova)’, no Serra Dourada, chamando a atenção para a semelhança e amizade entre esses dois times na história do futebol goiano, numa demonstração de resistência cultural e luta política contra os poderes constituídos da época.

Por outro lado o Goiânia e o Goiás tem histórias mais parecidas, são considerados times elitizados, já que sempre possuíram melhores relações com os Governos, e por isso, sempre com mais acesso a privilégios.

O Atlético inicia a década seguinte sendo campeão goiano, em 1970, tendo vencido na final o Vila Nova.

Leia mais...Em 1971, o Atlético conquista o primeiro título nacional da historia do futebol goiano: o Torneio da Integração Nacional, uma competição equivalente a um campeonato brasileiro da Série B à época. Neste torneio, o Atlético venceu o time da Ponte Preta, que havia sido vice-campeã paulista no ano anterior. Esse torneio envolveu 16 times de 10 estados diferentes. Os times que não estavam na série A em 1971, estavam neste torneio, que envolveu as cinco regiões do país, inclusive o Goiás e o Vila Nova.

Na época esse torneio correspondia ao título mais expressivo conquistado por um time goiano. Assim, o futebol brasileiro voltou os olhares para o futebol de nosso Estado.

Em 1973, a Revista Placar promoveu um concurso nacional para saber qual o clube mais querido de cada estado. Quem ganhou o concurso foi o Atlético, que ficou conhecido como o time mais querido de Goiás. É por isso que está estampado no ônibus do Atlético esse slogan: “O mais querido dos goianos”.

O Atlético estava em voga, por possuir a maior torcida goiana e por ter conquistado em 1971, o Torneio da Integração Nacional, era o time mais popular desde os anos 40 até aquele início dos anos 70. Porém, cruelmente, não foi convidado para jogar o Campeonato Brasileiro da série A em 1973. Na época a participação para o Campeonato Brasileiro não se dava por critérios técnicos, mas por convite, e por ter melhor relações políticas com os Governos da Ditadura Militar, e com a CBD-Confederação Brasileira de Desportos, o Goiás Esporte Cube foi convidado, o clube de menor torcida e com o menor número de títulos entre os clubes da capital. Esse episódio é determinante para o futuro do cenário esportivo local, o time do Goiás se fortalece então com alguns privilégios, tendo se tornado a vitrine do futebol goiano.

No fim dos anos 70 o Atlético revelou o jogador Gilberto, que foi ser campeão no Fluminense, e ainda uma das maiores revelações de sua história, o goleador Baltazar. Em 1978 Baltazar se torna o maior artilheiro da história do campeonato goiano. O chamado “Artilheiro de Deus” participou de todas as categorias de base do Atlético: desde o dente-de-leite até o profissional no Atlético Goianiense, até ser vendido para o Grêmio de Porto Alegre. Baltazar carrega marcas invejáveis, ainda está entre os 06 maiores artilheiros da historia do campeonato espanhol em uma única temporada, pelo Atlético de Madrid, ao lado de craques como Messi e Cristiano Ronaldo e é o maior artilheiro do Brasil em uma única edição da competição espanhola, na frente de Neymar, Ronaldo, Romario e Rivaldo.

Baltazar foi o jogador de nosso estado que mais se destacou no futebol brasileiro e mundial, sendo o único goiano a ser campeão com a seleção brasileira. Ganhou a Copa América de 1989, onde também marcou gol.

Na década de 70 é necessário destacar já a presença de um torcedor símbolo do Dragão, o ‘Respeita as Cores’, que era torneiro mecânico e fazia com sua capa e bumbo a festa nas arquibancadas.

O Atlético chega à década de 80 passando por um jejum de 14 anos sem conquistar nenhum campeonato, porém sagra-se campeão goiano em 1985 e 1988, nas duas oportunidades contra o Goiás.

É também na década de 80 que o Dragão Campineiro revela grandes jogadores de base como: Valdeir, também conhecido como ‘The flash’, que foi para o Botafogo, tendo sido vice-campeão brasileiro. Posteriormente Valdeir vai jogar com Zidane na França e levam o seu time ao primeiro lugar na Copa Intertoto da UEFA de 1995; Júlio César Imperador, que foi campeão brasileiro pelo time do Flamengo, fazendo gol na final em 1992; Marçal, zagueiro, que foi convocado diretamente pela Seleção Brasileira de Base. O Atlético continua com sua trajetória de ser um celeiro de craques.

Nos anos 90 o rubro-negro goiano conquista o campeonato Brasileiro da série C, de 1990, contra o América Mineiro, tornando-se o primeiro time goiano a ganhar um torneio organizado pela CBF. É também nesse período que revela grandes jogadores, como Lindomar e Romerito, que foram jogar no Corinthians e depois no exterior.

O Dragão inicia os anos 2000 com poucas alegrias. O time teve o artilheiro do campeonato goiano de 2002, Rubsen, e teve também a passagem do artilheiro Túlio Maravilha em 2003, onde ele fez seu gol número 600. Ainda nos anos 2000 quem se destaca, e é campeão pela base atleticana, é o jogador Dudu, que viria as ser o capitão da equipe do Palmeiras, campeã brasileira de 2016.  O Atlético vive nessa década um período de grandes dificuldades, mas há de se destacar que nunca “fechou as portas” como equivocadamente se ouve por aí. O Dragão Goiano nunca passou um ano sequer, desde sua fundação, sem disputar um campeonato oficial, mesmo em seus piores momentos.

Leia mais...O auge dos momentos sombrios do Atlético se dá quando dirigentes tentam vender o Estádio Antônio Accioly e entregar a área para um Shopping Center. Porém a torcida resiste, mantem o Estádio, e a partir daí o Dragão, com a força do torcedor e do bairro de Campinas, começa a pavimentar sua retomada para as Glórias.  O Estádio Antônio Accioly é reformado, ocorre o investimento em seu Centro de Concentração e Treinamento e o Dragão se apresenta cada vez mais forte.

De 2005 até os dias de hoje o Atlético não ficou sequer 2 anos sem ganhar um título. Conquistou quatro títulos Goianos: 2007, 2010, 2011 e 2014; dois títulos nacionais: Série C de 2008 e Série B de 2016, três acessos para divisões superiores, um 4º lugar na Copa do Brasil de 2010 e a disputa de um torneio internacional, a Copa Sul-americana de 2012. 

Leia mais...O Dragão começa o ano como o único representante goiano na elite do futebol nacional, ou seja, de 1937 a 2017 o Atlético no topo do futebol do Estado, um passado incomparável, de glórias, lutas e superações e um presente invejável. O melhor de ontem é também o melhor da atualidade. E é nessa hora, em que estamos no auge, onde o torcedor quer estar mais perto, é que não podemos esquecer-nos de valorizar nosso passado, os ídolos, dirigentes e torcedores que fizeram com que o Atlético chegasse nos dia de hoje com condições de ser tão grande. Agora que o Atlético tem um orçamento e visibilidade maior é a hora de chamar o torcedor, comerciantes, parceiros para reformar e revitalizar o Estádio Antônio Accioly. Vejamos o exemplo do Sport Recife, que mesmo na série A, podendo usar a Arena Pernambuco, não abre mão do calor da sua torcida na Ilha do Retiro, tal qual o Paysandu, que também manda alguns jogos na Curuzu. Clubes menores que o Atlético como Brasil de Pelotas e o América de Natal, tem investido em seus estádios com programas de sócio torcedor, venda antecipada de cadeiras cativas e camarotes. O ABC de Natal, menor que o Dragão, já tem sua arena. Enfim, a hora é essa, de valorizar nossa história, chamar o torcedor para perto. Em seus 80 anos de Glória o Atlético e seu torcedor merecem esse presente.”

Por Paulo Winícius Maskote - Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás e Professor do Curso de História do IFG (Instituto Federal Tecnológico de Goiás). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

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