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Como uma forma de celebração do aniversário de 80 anos do Atlético Clube Goianiense, decidi abrir o espaço do meu blog para a torcida atleticana demonstrar seu carinho com o clube campineiro. O rubro-negro Paulo Winícius Maskote escreveu um belo texto contando a rica história da equipe mais antiga da capital goiana. Confira!

“Nesse dia 02 de abril o Atlético completa 80 anos, festejos e homenagens tomam conta do noticiário esportivo, afinal de contas estamos falando do clube mais antigo, do primeiro campeão do Estado. Porém essa história bonita ainda é pouco conhecida pela maioria dos torcedores goianos, o Dragão, campeão em todas as décadas, não tem uma sala de troféus, um museu, um espaço para exposição e celebração de suas façanhas, e para piorar está com seu estádio, no tradicional bairro de Campinas, sem atividades para o torcedor. É nesse contexto que chama a atenção, dentre tantas celebrações, a iniciativa de torcedores que clamam pela revitalização do Estádio Antônio Accioly e por uma atenção maior para a linda história rubro-negra.

A história do Atlético se confunde com a história de Goiânia, que foi fundada em 1933. O Atlético Clube Goianiense foi o primeiro clube a ser organizado na nova capital. Foi fundado em 1937.

Logo após, em 1938, foi fundado o Goiânia Esporte Clube, e em 1943, o Goiás Esporte Clube e o Vila Nova Futebol Clube.

Os fundadores do Dragão se dividiam entre torcedores do Clube de Regatas do Flamengo e do São Paulo Futebol Clube. Daí a origem da camisa atleticana, com listras vermelhas e pretas e com o brasão semelhante ao do time paulista. Isto porque o rádio na época era o maior meio de comunicação e as notícias vinham do eixo Rio-São Paulo.

Foram fundadores do Dragão: Nicanor Gordo, Alberto Alves Gordo, Afonso Gordo, Edson Hermano, João de Brito Guimarães, João Batista Gonçalves, Ondomar Sarti e Benjamim Roriz.

No início de sua trajetória o Atlético teve como grande rival o Goiânia. Como os dois primeiros times goianos, essa rivalidade e hegemonia se firmaram entre as décadas de 40 e 50. Só nas décadas de 60 e 70, o Goiás e o Vila Nova entraram no cenário das disputas.

O Atlético foi o primeiro time da capital a ter um estádio próprio, com o nome de Antônio Accioly, em homenagem a um dos maiores dirigentes de sua história.

Fotos: Divulgação
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Ainda na década de 40 o Atlético já fazia história, foi o primeiro clube goiano a revelar um grande jogador para o Futebol Nacional: Washington da Silva, o “Goiano”. Ele levou o Atlético a conquistar, de forma invicta, o primeiro campeonato goiano da história, o de 1944. O “Goiano” foi parar no Corinthians, tendo levado o time ao bicampeonato paulista no início da década de 50. Washington é considerado um dos maiores zagueiros da história do Corinthians, fazendo parte até hoje do Museu da Fama do time alvinegro, constando em sua galeria de ídolos.

Na década de 50 o Atlético conquista o campeonato goiano de forma invicta, em 1955 e 1957. Façanha que nenhum clube bateu até hoje, o Atlético é o maior campeão invicto da história do futebol goiano, com três conquistas: 1944,1955 e 1957.

Nessa mesma década o rubro-negro se torna o primeiro time goiano a vencer uma grande equipe brasileira, do eixo Rio-São Paulo, bate o time do São Paulo, do craque da seleção Zizinho, por 1x0 no Estádio Olímpico, em 1958.

Foi também o primeiro clube goiano a disputar uma partida internacional, em 1958, contra o Vila Rica do Paraguai, também no Estádio Olímpico.

Foto: Divulgação
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O Atlético se destacou, desde sua fundação, por ser um time popular, com raízes comunitárias, time e torcida de trabalhadores e pequenos comerciantes, por isso recebeu o apelido pela imprensa da época de “O Clube do Povo’. Em contraposição ao perfil popular do Dragão Campineiro tínhamos, nas décadas de 40 e 50, o time do  Goiânia, que era o time de Pedro Ludovico Teixeira, político importante e que foi Governador de Goiás. É preciso lembrar que o futebol não era profissional, os jogadores não tinham salário para se dedicarem exclusivamente ao futebol, e nessa conjuntura muitos dos jogadores do Goiânia, além de jogadores, eram contratados como funcionários públicos (fantasmas), por isso o Galo ficou conhecido por ‘Time Chapa Branca’, porque foi muito beneficiado pelo Governo do Estado.

O Dragão inicia a década de 60 mantendo-se como o clube de maior torcida do Estado e em 1964 conquista o Campeonato Goiano.

O Atlético vai conseguir ainda as melhores colocações de um time goiano na Taça Brasil, em 1965 e 1968, sendo que em 1965, ficou em 10.º lugar e em 1968 ficou na 6.ª colocação, tendo perdido nessa ocasião apenas para o time do Cruzeiro, que tinha estrelas como Piaza, Tostão, jogadores estes que levaram o Brasil ao tri-campeonato mundial na década de 70. A Taça Brasil correspondia ao Campeonato Brasileiro da série A de hoje. Também nos anos 60 o rubro-negro revela o jogador Luizinho, que foi para o Vasco da Gama.

Há de se destacar que é nessa década que o Vila Nova começa a ganhar títulos, tendo conquistado então um tri campeonato goiano. O Vila é considerado por alguns como um time irmão do Atlético, por ser também clube de caráter popular e de bases comunitárias, todos os dois tem vínculos profundos com seus bairros. O dirigente atleticano Antonio Accioly chegou a ajudar também o Vila Nova. A grande rivalidade do futebol goiano na década de 1960 foi o embate entre o Dragão e o Tigrão.  Curioso que algum tempo depois, em 1986, houve um jogo amistoso entre intelectuais torcedores do Vila Nova e do Atlético Goianiense intitulado ‘Prosadores (Atletico) x Poetas (Vila Nova)’, no Serra Dourada, chamando a atenção para a semelhança e amizade entre esses dois times na história do futebol goiano, numa demonstração de resistência cultural e luta política contra os poderes constituídos da época.

Por outro lado o Goiânia e o Goiás tem histórias mais parecidas, são considerados times elitizados, já que sempre possuíram melhores relações com os Governos, e por isso, sempre com mais acesso a privilégios.

O Atlético inicia a década seguinte sendo campeão goiano, em 1970, tendo vencido na final o Vila Nova.

Foto: Divulgação
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Em 1971, o Atlético conquista o primeiro título nacional da historia do futebol goiano: o Torneio da Integração Nacional, uma competição equivalente a um campeonato brasileiro da Série B à época. Neste torneio, o Atlético venceu o time da Ponte Preta, que havia sido vice-campeã paulista no ano anterior. Esse torneio envolveu 16 times de 10 estados diferentes. Os times que não estavam na série A em 1971, estavam neste torneio, que envolveu as cinco regiões do país, inclusive o Goiás e o Vila Nova.

Na época esse torneio correspondia ao título mais expressivo conquistado por um time goiano. Assim, o futebol brasileiro voltou os olhares para o futebol de nosso Estado.

Em 1973, a Revista Placar promoveu um concurso nacional para saber qual o clube mais querido de cada estado. Quem ganhou o concurso foi o Atlético, que ficou conhecido como o time mais querido de Goiás. É por isso que está estampado no ônibus do Atlético esse slogan: “O mais querido dos goianos”.

O Atlético estava em voga, por possuir a maior torcida goiana e por ter conquistado em 1971, o Torneio da Integração Nacional, era o time mais popular desde os anos 40 até aquele início dos anos 70. Porém, cruelmente, não foi convidado para jogar o Campeonato Brasileiro da série A em 1973. Na época a participação para o Campeonato Brasileiro não se dava por critérios técnicos, mas por convite, e por ter melhor relações políticas com os Governos da Ditadura Militar, e com a CBD-Confederação Brasileira de Desportos, o Goiás Esporte Cube foi convidado, o clube de menor torcida e com o menor número de títulos entre os clubes da capital. Esse episódio é determinante para o futuro do cenário esportivo local, o time do Goiás se fortalece então com alguns privilégios, tendo se tornado a vitrine do futebol goiano.

No fim dos anos 70 o Atlético revelou o jogador Gilberto, que foi ser campeão no Fluminense, e ainda uma das maiores revelações de sua história, o goleador Baltazar. Em 1978 Baltazar se torna o maior artilheiro da história do campeonato goiano. O chamado “Artilheiro de Deus” participou de todas as categorias de base do Atlético: desde o dente-de-leite até o profissional no Atlético Goianiense, até ser vendido para o Grêmio de Porto Alegre. Baltazar carrega marcas invejáveis, ainda está entre os 06 maiores artilheiros da historia do campeonato espanhol em uma única temporada, pelo Atlético de Madrid, ao lado de craques como Messi e Cristiano Ronaldo e é o maior artilheiro do Brasil em uma única edição da competição espanhola, na frente de Neymar, Ronaldo, Romario e Rivaldo.

Baltazar foi o jogador de nosso estado que mais se destacou no futebol brasileiro e mundial, sendo o único goiano a ser campeão com a seleção brasileira. Ganhou a Copa América de 1989, onde também marcou gol.

Na década de 70 é necessário destacar já a presença de um torcedor símbolo do Dragão, o ‘Respeita as Cores’, que era torneiro mecânico e fazia com sua capa e bumbo a festa nas arquibancadas.

O Atlético chega à década de 80 passando por um jejum de 14 anos sem conquistar nenhum campeonato, porém sagra-se campeão goiano em 1985 e 1988, nas duas oportunidades contra o Goiás.

É também na década de 80 que o Dragão Campineiro revela grandes jogadores de base como: Valdeir, também conhecido como ‘The flash’, que foi para o Botafogo, tendo sido vice-campeão brasileiro. Posteriormente Valdeir vai jogar com Zidane na França e levam o seu time ao primeiro lugar na Copa Intertoto da UEFA de 1995; Júlio César Imperador, que foi campeão brasileiro pelo time do Flamengo, fazendo gol na final em 1992; Marçal, zagueiro, que foi convocado diretamente pela Seleção Brasileira de Base. O Atlético continua com sua trajetória de ser um celeiro de craques.

Nos anos 90 o rubro-negro goiano conquista o campeonato Brasileiro da série C, de 1990, contra o América Mineiro, tornando-se o primeiro time goiano a ganhar um torneio organizado pela CBF. É também nesse período que revela grandes jogadores, como Lindomar e Romerito, que foram jogar no Corinthians e depois no exterior.

O Dragão inicia os anos 2000 com poucas alegrias. O time teve o artilheiro do campeonato goiano de 2002, Rubsen, e teve também a passagem do artilheiro Túlio Maravilha em 2003, onde ele fez seu gol número 600. Ainda nos anos 2000 quem se destaca, e é campeão pela base atleticana, é o jogador Dudu, que viria as ser o capitão da equipe do Palmeiras, campeã brasileira de 2016.  O Atlético vive nessa década um período de grandes dificuldades, mas há de se destacar que nunca “fechou as portas” como equivocadamente se ouve por aí. O Dragão Goiano nunca passou um ano sequer, desde sua fundação, sem disputar um campeonato oficial, mesmo em seus piores momentos.

Foto: Divulgação
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O auge dos momentos sombrios do Atlético se dá quando dirigentes tentam vender o Estádio Antônio Accioly e entregar a área para um Shopping Center. Porém a torcida resiste, mantem o Estádio, e a partir daí o Dragão, com a força do torcedor e do bairro de Campinas, começa a pavimentar sua retomada para as Glórias.  O Estádio Antônio Accioly é reformado, ocorre o investimento em seu Centro de Concentração e Treinamento e o Dragão se apresenta cada vez mais forte.

De 2005 até os dias de hoje o Atlético não ficou sequer 2 anos sem ganhar um título. Conquistou quatro títulos Goianos: 2007, 2010, 2011 e 2014; dois títulos nacionais: Série C de 2008 e Série B de 2016, três acessos para divisões superiores, um 4º lugar na Copa do Brasil de 2010 e a disputa de um torneio internacional, a Copa Sul-americana de 2012. 

Foto: Divulgação
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O Dragão começa o ano como o único representante goiano na elite do futebol nacional, ou seja, de 1937 a 2017 o Atlético no topo do futebol do Estado, um passado incomparável, de glórias, lutas e superações e um presente invejável. O melhor de ontem é também o melhor da atualidade. E é nessa hora, em que estamos no auge, onde o torcedor quer estar mais perto, é que não podemos esquecer-nos de valorizar nosso passado, os ídolos, dirigentes e torcedores que fizeram com que o Atlético chegasse nos dia de hoje com condições de ser tão grande. Agora que o Atlético tem um orçamento e visibilidade maior é a hora de chamar o torcedor, comerciantes, parceiros para reformar e revitalizar o Estádio Antônio Accioly. Vejamos o exemplo do Sport Recife, que mesmo na série A, podendo usar a Arena Pernambuco, não abre mão do calor da sua torcida na Ilha do Retiro, tal qual o Paysandu, que também manda alguns jogos na Curuzu. Clubes menores que o Atlético como Brasil de Pelotas e o América de Natal, tem investido em seus estádios com programas de sócio torcedor, venda antecipada de cadeiras cativas e camarotes. O ABC de Natal, menor que o Dragão, já tem sua arena. Enfim, a hora é essa, de valorizar nossa história, chamar o torcedor para perto. Em seus 80 anos de Glória o Atlético e seu torcedor merecem esse presente.”

Por Paulo Winícius Maskote - Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás e Professor do Curso de História do IFG (Instituto Federal Tecnológico de Goiás). E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

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